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SOCIEDADE

Mutoua: “Novo governo de Nampula tem tudo para fazer a diferença, se transformar ideias em acções”

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O director executivo da Solidariedade de Moçambique (SoldMoz), António Mutoua, acredita que o novo governo provincial de Nampula tem todas as condições para marcar uma viragem positiva na governação local, desde que transforme os discursos em acções concretas, promova a inclusão e saiba escutar todas as vozes da sociedade.

Falando à margem da 27.ª Sessão do Observatório Provincial de Desenvolvimento (OD) — a primeira do actual ciclo governativo, que reúne representantes do governo, do sector privado e da sociedade civil —, Mutoua sublinhou que os últimos dez anos foram marcados por um clima de fechamento e ausência de diálogo.

“Durante uma década, nunca tivemos encontros como este, onde as pessoas pudessem dizer o que sentem e o que pensam. Houve muito fechamento. Agora sentimos uma abertura maior, e isso já é motivo de satisfação”, afirmou.

O dirigente reconheceu que os discursos iniciais do novo executivo provincial foram bem recebidos pelos participantes e alinhados com as aspirações da província, mas advertiu para a necessidade urgente de associar palavras a actos concretos.

“O que está a ser apresentado é aquilo que a província quer ouvir, quer ver acontecer. É um bom começo. Mas se não transformarmos as palavras em acções, não teremos um bom governo em Nampula”, alertou.

Para Mutoua, o sucesso do plano de desenvolvimento 2024–2034 dependerá de uma abordagem inclusiva, onde o governo partilhe responsabilidades com organizações da sociedade civil, empresários e comunidades locais.

“Há assuntos que não dependem apenas do governo. Nós, como sociedade civil e sector privado, também temos de contribuir para que os objectivos sejam efectivados. O desenvolvimento é uma tarefa colectiva”, defendeu.

Neste processo, sublinha António Mutoua, é fundamental envolver as grandes empresas que operam na província.

“Temos grandes empresas a explorar os nossos recursos. Se elas pretendem continuar aqui por mais tempo, também devem apoiar o governo no seu plano de desenvolvimento. Isso exige abertura para negociar e definir compromissos claros. O trabalho das empresas é maximizar lucros, mas isso não deve excluir a responsabilidade social”, reforçou.

Para o director da SoldMoz, a postura inicial do novo governo sinaliza um tempo de mudança e esperança, desde que o compromisso com a participação cidadã e o diálogo se mantenha firme. Faizal Raimo

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