SOCIEDADE
Mogovolas: Suposta gangue da polícia regressa aos cargos dias após libertação
Secretário de Estado evita pronunciar-se sobre regresso de agentes
Menos de um mês após o desmantelamento de uma alegada rede criminosa no Comando Distrital da PRM em Mogovolas — que envolvia o comandante distrital, o chefe das operações e três agentes —, todos os cinco detidos regressaram aos seus postos e continuam a trabalhar no mesmo distrito onde são acusados de praticar crimes graves.
Na altura da libertação, o porta-voz do Tribunal Judicial de Nampula justificou, em conferência de imprensa, a decisão com base no “termo de identidade e residência” e na avaliação de que não existia perigo de fuga nem risco de influenciar a investigação, que ainda decorre para esclarecer o processo.
Fontes próximas ao caso alertam que o regresso imediato dos suspeitos às funções originais contradiz a lógica de prevenção de interferências. Os cinco voltaram a ter acesso aos mesmos recursos, informações e contactos que, segundo a investigação, terão sido usados para proteger garimpeiros ilegais, intimidar empresários e facilitar crimes desde 2024.
“É incompreensível. Como é que alguém acusado de usar a farda para cometer crimes continua a usar a mesma farda, no mesmo lugar?”, questiona uma fonte que pediu anonimato.
Na comunidade e entre empresários locais, a medida gerou indignação e preocupação. O que inicialmente foi celebrado como sinal de mudança agora é visto como risco de comprometer a investigação e de reinstalar o clima de impunidade que marcou o distrito nos últimos anos.
Autoridades políticas remetem explicações para a justiça
Questionado pelo Jornal Rigor sobre como interpretar o regresso dos cinco agentes ao mesmo distrito, o Secretário de Estado da Província de Nampula, Plácido Nerino Pereira, remeteu o assunto para as instâncias judiciais.
“O que deve ser analisado é por que foram libertados, se havia ou não provas. Como voltaram a trabalhar e porquê voltaram a trabalhar. Como não temos o processo, devemos, junto à justiça, primeiro ver o documento e o que é que ele diz. Ficou provado? Não ficou provado?”, afirmou.
O dirigente acrescentou que, sem acesso ao processo, não pode fazer qualquer avaliação conclusiva, reiterando que cabe à justiça esclarecer se existiram fundamentos para as detenções e se a reintegração é juridicamente legítima. Faizal Raimo
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José Luzia
Agosto 9, 2025 at 2:43 pm
É só mais um caso dos vários que cada dia vai surgindo revelando a aparente incompetência dos titulares do poder judicial nesta província…e não só! Aí fim e aí cabo seguem o exemplo da arbitrariedade do PGR ao perseguir Venâncio e deixar em liberdade o criminoso privado ex-comandante geral da PRM que mandou matar maus de 300 jovens manifestantes, e não só!
Há ainda um caso de juiz denunciado por alguém de corrupção e a resposta foi vingativa, tanto quanto soube: perseguição judicial com prisão imediata para o condenado injustamente não ter tempo de apresentar recurso em liberdade! E querem ser respeitados? Pobre povo neste país!