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Mogovolas reabre centros de saúde, mas Nanhupo ainda apedreja técnicos
Após um período crítico marcado pelo encerramento de unidades sanitárias e episódios de violência contra profissionais de saúde, o distrito de Mogovolas, na província de Nampula, começa a recuperar a sua rede de atendimento primário com a reabertura gradual de centros de saúde. As unidades de Namitil, Copito e Muatua já retomaram parcialmente as suas actividades, aliviando a pressão sobre a população que, durante meses, foi forçada a percorrer longas distâncias para aceder a cuidados médicos.
Segundo o director distrital de Saúde, Alimo Consolo Chea, a reactivação das unidades representa um passo importante, embora o processo ainda enfrente desafios. “Tivemos de lidar com resistência em algumas comunidades, como Nanhupo Rio. A última vez que tentámos reabrir a unidade, fomos apedrejados”, revelou. Para contornar a situação, estão agendadas visitas de avaliação com líderes locais nas próximas semanas.
A onda de desinformação e rumores envolvendo profissionais de saúde foi apontada como um dos principais factores que agravaram o cenário. “A gestão de rumores tornou-se uma prioridade. São sinais que nos obrigam a agir, mas felizmente a consciência da população está a mudar”, explicou Chea.
Com a reabertura do Centro de Saúde de Namitil, considerado a maior unidade sanitária do distrito, parte dos serviços essenciais já foi restabelecida. A farmácia voltou a funcionar em pleno e o laboratório está activo, embora ainda limitado devido ao saque de equipamentos, como o GeneXpert e microscópios. A reabilitação do bloco operatório, destruído durante os distúrbios, permanece um desafio. “Estamos em negociações com os Médicos Sem Fronteiras, que foram fortemente afectados. A residência deles foi incendiada, mas já estão a apoiar nas obras para reposição do gerador de energia”, adiantou o responsável.
A normalização dos serviços está também a permitir a reorganização de programas essenciais como o tratamento do HIV. “Reforçámos o papel das matronas e conselhos comunitários para garantir que os medicamentos chegassem aos pacientes mesmo durante o encerramento das unidades”, explicou.
Durante o período de encerramento, muitas famílias enfrentaram enormes dificuldades para aceder aos cuidados de saúde. Pacientes de Namitil deslocavam-se até Califo, a 32 km de distância, enquanto outros procuravam atendimento em Mecua, Nampula, Liupo ou Namacoa. “Era um sofrimento enorme para a população, que hoje, felizmente, volta a ter unidades em funcionamento”, destacou Chea.
Nanhupo Rio ainda resiste à reabertura
Apesar dos avanços, a comunidade de Nanhupo Rio continua a representar um desafio particular para as autoridades de saúde. Com uma população estimada entre 50 a 60 mil habitantes, a unidade local é a segunda com maior volume de atendimentos em Mogovolas, superada apenas por Namitil. Além da sua população, o centro de saúde de Nanhupo Rio atende zonas vizinhas, incluindo partes do distrito de Angoche.
“Programámos duas visitas com as lideranças locais para avaliar a prontidão da comunidade em receber novamente os profissionais de saúde. Mas, infelizmente, a última tentativa resultou em apedrejamento”, relatou Alimo Consolo Chea.
A insegurança e os receios ainda latentes entre a população, alimentados por episódios anteriores de desinformação, têm atrasado a reabertura da unidade. As autoridades continuam a dialogar com líderes comunitários, na tentativa de reconstruir a confiança e garantir o regresso dos serviços.
Malária em queda
No campo epidemiológico, o distrito registou uma redução significativa nos casos de malária, com 10 mil infecções reportadas este ano, contra cerca de 17 mil em igual período de 2024 — uma queda de 42%. A melhoria é atribuída às campanhas comunitárias de prevenção, à distribuição de RPIs para grávidas e ao envolvimento activo de líderes religiosos.
“Aliámo-nos aos líderes religiosos, que têm sido grandes aliados nas campanhas de prevenção. Este esforço conjunto está a fazer diferença”, concluiuAlimo Consolo Chea.
A combinação entre reabertura progressiva de unidades sanitárias, combate à desinformação e envolvimento das comunidades está a devolver, aos poucos, a confiança no sistema de saúde de Mogovolas. Daniela Caetano
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