ECONOMIA
Manicure e pedicure de rua tornam-se fonte de sustento para jovens em Nampula
Cada vez mais jovens em Nampula estão a encontrar na prática de manicure e pedicure de rua uma alternativa de auto-emprego para garantir o sustento das suas famílias, num contexto marcado pelo desemprego e pela falta de oportunidades formais.
A expansão desta actividade é sustentada pela grande procura de serviços de estética a baixo custo, sobretudo por parte de jovens e trabalhadores informais. Até há poucos anos, a prática de manicure e pedicure era maioritariamente associada a salões de renome e considerada uma actividade de acesso mais restrito. Com o tempo, e perante a pressão económica, muitos jovens passaram a improvisar a prestação destes serviços, alguns exercendo na via pública e outros através de serviços ambulatórios, levando a estética a camadas mais amplas da população.
Os jovens ouvidos pelo Jornal Rigor afirmam que a actividade, apesar de informal, tem permitido gerar rendimentos regulares e afastar-se de comportamentos de risco e actos ilícitos.
Jaime, um dos jovens entrevistados, explicou que começou a trabalhar como manicure no ano passado e que a actividade tem sido fundamental para o sustento da sua família, embora enfrente dificuldades por falta de um espaço fixo.
“Comecei a trabalhar no ano passado e até hoje este trabalho dá lucro. O problema é que não temos espaço fixo. Já estivemos noutro local e fomos expulsos para este lado. Mesmo assim, o trabalho é bom. Em dias de movimento, sobretudo perto de festas, é possível sair com 3.500, 3.000 ou 2.500 meticais no bolso. É melhor do que ficar no bairro sem fazer nada”, afirmou.
Segundo Jaime, a actividade representa uma alternativa concreta para jovens que procuram meios honestos de sobrevivência.
Belito Carlitos contou que antes trabalhava num salão de beleza, mas viu-se obrigado a procurar outra actividade após o estabelecimento ter sido vandalizado.
“Eu trabalhava num salão, mas saí porque foi vandalizado e fiquei no bairro sem fazer nada. Um amigo levou-me para este trabalho. Vi que ele ganhava muitos clientes, ajudei durante uma semana e depois comecei a trabalhar por conta própria. Éramos três e vimos que dava dinheiro, por isso ficámos”, explicou.
Belito acrescentou que, apesar de haver dias com menos clientes, a actividade garante um rendimento mínimo semanal.
“Mesmo quando não há muitos clientes, numa semana é possível fazer cerca de 7.000 meticais. É um salário. Aos jovens que não estão a fazer nada, é melhor virem trabalhar do que ficarem no bairro sem ocupação”, afirmou.
Outro jovem, Ivan Alfredo, disse que está a aprender a profissão e vê na manicure uma oportunidade para se tornar financeiramente independente.
“Comecei há pouco tempo a aprender este trabalho. Se eu tiver todo o material e me tornar profissional, consigo ganhar por dia entre 50 e 100 meticais, ou mais, dependendo do movimento. Para os jovens que não fazem nada, é melhor aprender isto do que causar confusão no bairro”, disse.
Os jovens defendem que, com apoio das autoridades ou integração em salões formais, poderiam melhorar as condições de trabalho, ampliar o mercado e garantir maior estabilidade.
Segundo os entrevistados, a manicure e pedicure de rua já se tornou uma fonte real de rendimento para dezenas de jovens em Nampula, mostrando como pequenas iniciativas informais podem funcionar como alternativas práticas de combate ao desemprego juvenil. Zeferino Jumito
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