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ECONOMIA

Malawi prepara regresso ao Porto de Nacala

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O Malawi quer retomar o uso do Porto de Nacala como principal via de escoamento das suas importações e exportações e enviou uma delegação técnica a Nampula para resolver pendências logísticas que, nos últimos anos, dificultaram o funcionamento pleno da rota. As informações foram avançadas pelo Secretário de Estado na província, Plácido Pereira, após receber esta quarta-feira, em audiência de cortesia, a Alta Comissária do Malawi em Moçambique, Weizi Moyo, que se encontra de visita à cidade de Nampula.

Segundo explicou, o país vizinho utilizou intensivamente o Porto e o Corredor de Nacala, mas afastou-se devido a constrangimentos operacionais persistentes, incluindo demora no atracamento e descarregamento de navios e limitações no armazenamento de mercadorias, com destaque para produtos petrolíferos. Para ultrapassar estes entraves, a delegação malawiana deverá reunir-se com a APIEX, gestora da plataforma logística, para definir soluções técnicas que permitam maior eficiência e segurança no fluxo de carga.

A Alta Comissária, Weizi Moyo, afirmou que o Porto de Nacala está a recuperar importância estratégica para a economia malawiana, descrevendo-o como “o nosso porto principal para lidar com as nossas logísticas”. Sublinhou que Nampula é uma província crucial para o Malawi, tanto pelo movimento de mercadorias como pela circulação de pessoas, e defendeu investimentos conjuntos para modernizar a capacidade de armazenagem e acelerar os processos operacionais. “Temos desafios no porto com a armazenagem, especialmente em termos de produtos de petróleo. Precisamos alimentar estes desafios com soluções conjuntas”, disse.

Secretário de Estado recebe em audiência a Alta Comissária do Malawi para destravar questões logísticas ligadas ao Porto de Nacala.

Plácido Pereira destacou que a reactivação da rota Nacala–Malawi poderá reforçar a competitividade económica da província e atrair novos investimentos. “Precisamos deixar de ser meros exportadores de matéria-prima e passar a transformar a nossa riqueza aqui, ganhando valor e vendendo a preços mais justos”, afirmou.

A agenda bilateral entre os dois países inclui também cooperação cultural, desportiva e comercial. Weizi Moyo disse querer ver grupos culturais de Nampula a participar em grandes festivais do Malawi, como o Achewa e o Angoni, e, em contrapartida, receber colectividades malawianas em eventos moçambicanos. A diplomata defendeu igualmente a necessidade de reforçar intercâmbios desportivos, considerando que o desporto “pode ajudar a construir um espaço de relação”.

O Malawi manifestou ainda interesse em reforçar a importação de sal moçambicano, sobretudo proveniente de Mossuril, maior produtor nacional.

Com a visita de Weizi Moyo, inicia-se uma nova etapa de negociações e alinhamento técnico para consolidar o regresso do Malawi ao uso intensivo do Porto de Nacala, uma infraestrutura que, segundo a Alta Comissária, deverá ganhar renovada importância nos próximos meses.

 

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