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SOCIEDADE

Investigadores desafiam imprensa religiosa a assumir papel de educadora moral e ética

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Face à crescente perda de valores morais e éticos na sociedade, investigadores da área da comunicação desafiam a imprensa religiosa a assumir maior responsabilidade na formação dos cidadãos. O apelo é para que estes meios se encarreguem de educar para a cidadania, para a ética e para o futuro, ajudando as pessoas a distinguir o certo do errado e a reforçar princípios de convivência saudável.

Segundo os académicos, num contexto em que grande parte dos comportamentos é moldada pelo que os media transmitem, cabe à imprensa religiosa ser referência, estabelecendo limites, checando factos e orientando a sociedade para caminhos de dignidade, respeito e coesão.

O investigador Deolindo Bento Paua e a comunicadora Neusa da Silva convergiram na ideia de que a baixa participação política tem impactos directos sobre a comunicação, exigindo da imprensa religiosa um papel mais activo, crítico e formador. Ambos consideram que os meios de comunicação não devem limitar-se à simples transmissão de factos, mas assumir-se como mediadores de debates e promotores de reflexão colectiva.

A professora doutora Neusa da Silva sublinhou que o maior desafio actual é conciliar rapidez e profundidade na produção jornalística.

“Queremos rapidez de informação, mas, ao mesmo tempo, profundidade. Os meios de comunicação social precisam estar do lado da verdade. Só assim se tornarão instrumentos de mediação e de formação da consciência dos cidadãos”, afirmou.

A docente universitária alertou ainda que o imediatismo das redes sociais não deve conduzir a um jornalismo superficial, mas antes incentivar práticas de checagem rigorosa, análise crítica e independência editorial.

“A sociedade tem contribuído mais para a educação, inclusive através de cursos de jornalismo, comunicação digital e doutrina social. É preciso também trazer plataformas colaborativas e investir em fact-checking, garantindo informação verdadeira e sempre com base em formação profissional”, acrescentou.

Já Deolindo Bento Paua recordou que, historicamente, a comunicação social em Moçambique esteve associada à mobilização política.

“Basta lembrar a Revista Brado Africano, criada em 1918, que formou consciências e mobilizou jovens para a independência. Depois, a Revista Tempo, fundada em 1974, despertou o patriotismo e a participação na fundação do novo Estado. Também a Rádio Moçambique, após a independência, assumiu funções de integração e formação cívica”, frisou.

O investigador destacou, contudo, que o contexto actual é bastante diferente.

“A corrupção, a pobreza e as promessas não cumpridas criaram um clima de resignação. Muitos jovens já não acreditam que a política resolva os problemas da sociedade”, lamentou.

Para ele, esta descrença mina os processos democráticos e enfraquece a cidadania activa. Como saída, propôs a criação de plataformas de comunicação participativas, capazes de devolver voz à população e aproximar os cidadãos das decisões políticas.

“Se a comunicação no passado ajudou a mobilizar para a independência, hoje deve ajudar a mobilizar para a participação democrática e para o exercício responsável da cidadania. É papel dos meios de comunicação social não apenas informar, mas também formar consciências, incentivar o engajamento cívico e garantir que os cidadãos compreendam a importância da sua participação na construção de um país mais justo e democrático”, concluiu.

Os dois especialistas falavam no simpósio e lançamento do livro comemorativo da Vida Nova, evento que teve lugar na última terça-feira(16) na Universidade católica de Moçambique em Nampula. Redacção

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