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HCN aponta carência de material médico como causa de transferências de doentes para Maputo
O director do Hospital Central de Nampula (HCN), Cachimo Mulima, afirmou que a província dispõe de médicos qualificados para responder às necessidades locais, mas a falta de recursos materiais continua a forçar a transferência de doentes para Maputo.
A declaração foi feita na última sexta-feira (12), durante o encerramento da 7.ª edição das Jornadas Científicas do HCN, realizadas nos dias 11 e 12 de Setembro, que reuniram médicos, investigadores e técnicos de saúde, superando em número de trabalhos apresentados todas as edições anteriores.
“Nampula tem capital humano suficiente, mas falta-nos material. A razão pela qual transferimos pacientes para Maputo não é por incapacidade dos nossos médicos, mas porque não temos os meios necessários para tratar aqui. Se o Ministério da Saúde capitalizar Nampula, deixaremos de enviar doentes para Maputo, poupando recursos e aliviando o sofrimento das famílias”, sublinhou Mulima.
O responsável defendeu também que o sector deve encontrar soluções para a formação e retenção de quadros. “Nampula é a província que mais envia médicos para pós-graduação, mas poucos regressam. Perde-se uma riqueza enorme e esses profissionais fazem falta cá”, lamentou.
Já o chefe do Departamento de Saúde Pública dos Serviços Provinciais, Geraldinho Avalinho, alertou para a sobrelotação no HCN. “Subir à enfermaria de medicina hoje é assustador. Há doentes em cada espaço e até nos corredores. É uma situação atípica que exige respostas rápidas e eficazes”, afirmou, criticando ainda a ineficácia do mecanismo multissectorial na prevenção de acidentes de viação, uma das principais causas de internamentos.
Apesar das dificuldades, o encerramento das jornadas foi marcado por optimismo quanto ao futuro da investigação científica em Nampula. Mulima destacou o papel da província como pólo de conhecimento nacional: “Nampula representa 23% da realidade nacional em saúde. Quando Nampula está mal, o país sente; quando Nampula está bem, melhora os indicadores nacionais. Não podemos esperar sempre que tudo venha de Maputo, precisamos de soluções próprias.” Vânia Jacinto
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