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Governo contradiz-se e só prevê entrega do Hospital Geral de Nampula em Agosto
Na quarta-feira, 7 de Maio, prometeu concluir até Junho. Na quinta, 8, apontou para Agosto. População continua à espera de alívio para o sistema de saúde sobrecarregado.
NAMPULA, 8 de Maio de 2025 – A previsão de conclusão das obras do Hospital Geral de Nampula voltou a sofrer alterações. Depois de anunciar na quarta-feira, 7 de Maio, que o hospital seria entregue até ao final deste semestre ou no início do próximo, o Governo provincial apresentou esta quinta-feira, 8, uma nova estimativa: Agosto.
A primeira informação foi avançada por Graciano Francisco, porta-voz do Conselho dos Serviços Provinciais da Representação do Estado, durante o encerramento da quarta sessão ordinária daquele órgão. Segundo o responsável, o Executivo contava com a entrega da obra “até ao final deste semestre, ou no início do próximo”.
“Houve troca de empresa e, por isso, já estamos a ver resultados palpáveis. Se forem ao local, verão que a situação já não é como no ano passado”, declarou Graciano Francisco. “Prevemos que até ao final deste semestre, ou no início do próximo, a infraestrutura nos seja entregue para ser usada”, reforçou.
Contudo, um dia depois, em conferência de imprensa realizada no final de uma visita ao sector da Saúde, o Secretário de Estado de Nampula, Plácido Nerino Pereira, recuou na previsão, passando a apontar para o mês de Agosto como nova meta de conclusão.
“A previsão de conclusão é para Agosto. Estamos a falar de um hospital cuja construção está atrasada há 18 meses”, esclareceu Nerino. “Acreditamos que resolvidos os problemas administrativos e burocráticos, o empreiteiro poderá acelerar os trabalhos”, acrescentou.
A mudança de discurso reabre o debate sobre a credibilidade das promessas públicas, especialmente num projecto que já passou por vários anúncios falhados. O ex-Presidente Filipe Nyusi, durante uma visita à província em 2023, havia garantido que o hospital estaria concluído até Abril deste ano — promessa que não se concretizou.
A infraestrutura, localizada no bairro de Natikiri, é considerada estratégica para aliviar a enorme sobrecarga que recai sobre o Hospital Central de Nampula (HCN). Actualmente, o HCN funciona com uma taxa de ocupação acima dos 100%, recebendo mais de 900 pacientes num espaço projectado para cerca de 500 camas. A situação tem obrigado ao internamento de doentes nos corredores.
“O nosso hospital já se mostra pequeno. Em certos momentos, temos doentes nos corredores”, reconheceu Graciano Francisco.
Além da pressão demográfica interna — com cerca de 7 milhões de habitantes —, o Hospital Central de Nampula presta assistência a pacientes vindos das províncias de Cabo Delgado, Niassa e Zambézia.
Com o adiamento sucessivo da conclusão do novo hospital, crescem as críticas quanto à eficiência da execução orçamental, à fiscalização das empreitadas públicas e à coerência institucional na comunicação de prazos.
O Jornal Rigor continuará a acompanhar o desenrolar deste processo e a verificar o cumprimento das novas promessas governamentais. Afinal, qual é a verdadeira data de entrega da obra? Faizal Raimo
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