ECONOMIA
Governador de Nampula alerta que excesso de zelo da AQUA pode degradar tecido social e recomenda estudo para disciplinar sector da carpintaria
O governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, alertou esta quinta-feira (11) que o excesso de zelo da Agência Nacional de Controlo de Qualidade Ambiental (AQUA) na fiscalização das carpintarias pode ter efeitos devastadores no tecido social urbano, provocando falências e aumento do desemprego juvenil. O dirigente defendeu a necessidade de um estudo urgente para disciplinar o sector e organizar os operadores em associações formais.

O apelo surge após protestos de cerca de 600 carpinteiros, que se concentraram nesta quarta-feira 10 de setembro para denunciar apreensões de madeira, multas elevadas e detenções arbitrárias. Segundo os queixosos, muitos pequenos e médios operadores viram os seus trabalhadores detidos e a madeira apreendida, colocando em risco a sobrevivência de oficinas que empregam dezenas de jovens.
“Algumas destas empresas têm 30 ou 35 jovens que hoje enfrentam o desemprego e a miséria por causa do nosso excesso de zelo. Não estou a apoiar o abate ilegal de árvores, mas temos de perceber que os verdadeiros furtivos estão a escapar pelos postos de controlo, enquanto os pequenos carpinteiros são penalizados”, declarou Abdula, durante um encontro com os afectados.
O governador recomendou a realização de um recenseamento das carpintarias existentes, distinguindo as licenciadas das informais, para permitir a regularização e integração dos operadores no sistema fiscal. “Temos de encontrar uma solução legal e equilibrada. Se for necessário, vamos ajudar as carpintarias informais a formalizarem-se e a pagarem as suas taxas, mas não podemos continuar a destruir pequenas iniciativas que dão sustento a muitas famílias”, reforçou.
Abdula defendeu ainda que a madeira apreendida pela fiscalização deve ser aproveitada em benefício social, nomeadamente para a produção de carteiras e esquadrias escolares, em vez de ficar a apodrecer nos depósitos. “Temos muitas escolas sem carteiras e sem janelas. Porque não transformar esta madeira em algo útil, através das carpintarias locais?”, questionou, garantindo que vai remeter as conclusões do encontro às instâncias competentes. Faizal Raimo
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