SOCIEDADE
Gamito dos Santos denuncia expulsões na PRM como manobra para encobrir impunidade dos verdadeiros criminosos
O activista dos Direitos Humanos, Gamito dos Santos, denuncia que as recentes expulsões de agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) não passam de uma encenação pública para transmitir uma falsa imagem de reforma e seriedade institucional. Para o director executivo da organização Kóxukhuru, trata-se de uma manobra calculada, marcada por motivações obscuras e falta de transparência.
Em entrevista ao Jornal Rigor, o activista expressou desconfiança em relação à expulsão de 73 agentes da PRM, envolvidos em casos de extorsão, burla, roubo e ofensas corporais — algumas das quais resultaram em morte. Segundo Dos Santos, a medida não atinge os verdadeiros responsáveis pela corrupção e pelo crime organizado dentro das fileiras policiais.
“Estes agentes expulsos são, na sua maioria, ‘pés descalços’, indivíduos sem qualquer protecção política ou influência. São usados como bodes expiatórios para alimentar uma narrativa enganosa de responsabilização e esconder os crimes cometidos por altos quadros protegidos pelo sistema”, declarou.
Para o activista, a polícia moçambicana tornou-se uma estrutura capturada por interesses criminosos:
“Esta é uma prova viva de que a PRM é um departamento paramilitar, militarizado, que, em algum momento, foi capturado por um grupo de bandidos. Muitos dos que entram na corporação não o fazem para servir o país, mas porque é o único emprego que conseguem ocupar na nossa sociedade.”
Dos Santos critica a natureza simbólica dos números apresentados pelo Ministério do Interior, afirmando que eles não representam o real universo de agentes envolvidos em práticas ilícitas:
“Esses números são meramente ilustrativos. Em vários casos, as torturas que resultaram em homicídios foram encomendadas pelo próprio regime, que instrumentaliza a polícia para cumprir ordens políticas.”
O activista sustenta que existe um padrão selectivo e político nas expulsões. Os agentes sem ligações partidárias são descartados, enquanto os “camaradas” continuam intocáveis, mesmo após cometerem crimes graves.
“Tenho a certeza de que os que foram expulsos não têm costas quentes. Mas os que têm o cartão do partido continuam lá, impunes. Veja-se o caso de Anastácio Matavele, morto por agentes da PRM. Estiveram presos por pouco tempo, depois voltaram ao Ministério do Interior como se nada tivesse acontecido.”
Para Dos Santos, o discurso oficial de combate à impunidade é uma falácia. A real intenção, segundo ele, é silenciar as críticas da sociedade:
“O ministro do Interior quer calar-nos com esta narrativa de responsabilização. Mas o que estão a fazer é enganar-nos. Os verdadeiros cães de caça continuam lá dentro — os que balearam Joel Amaral, os que mataram Gilles Cistac e muitos outros ainda estão activos.”
Conclui com um alerta contundente: “Enquanto os vulneráveis forem sacrificados e os verdadeiros criminosos protegidos, não haverá reforma nem justiça dentro da PRM.” Daniela Caetano
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