ECONOMIA
Funcionários do Conselho Municipal de Angoche recuam e suspendem greve
Depois de rejeitarem, na passada sexta-feira, a proposta do Governo para o pagamento de apenas dois dos seis meses de salários em atraso, os funcionários do Conselho Municipal da Cidade de Angoche acabaram por recuar e aceitar o pagamento parcial, decidindo suspender a greve na noite desta segunda-feira (26), após novas rondas de negociação.
Com a decisão, o edifício do Conselho Municipal de Angoche foi reaberto e, segundo apurou o Jornal Rigor, todos os funcionários encontram-se já nos seus postos de trabalho, permitindo a retoma gradual dos serviços públicos.
A primeira tentativa do Governador da província de Nampula para travar a paralisação havia fracassado, com os trabalhadores a considerarem insuficiente a proposta, por entenderem que o valor seria absorvido por dívidas bancárias e outros compromissos, mantendo as famílias em situação de aperto financeiro.
Durante a negociação realizada na sexta-feira, os grevistas alertaram que, caso os valores fossem canalizados para as contas bancárias, o montante seria automaticamente consumido pelo serviço da dívida, não ficando praticamente nada disponível para as necessidades das famílias.
Por essa razão, os funcionários defenderam que o pagamento fosse efectuado em numerário, como forma de contornar os bloqueios e compensações automáticas feitas pelos bancos.
Até ao momento, não foi confirmado se o pagamento dos dois meses será feito via banco ou em numerário, conforme proposto pelos trabalhadores.
Na sexta-feira, o Governador explicou que o esforço do Governo, nesta fase, foi garantir o pagamento de dois meses, reconhecendo o direito dos trabalhadores de exigirem a regularização integral dos salários em atraso.
Perante o impasse, o dirigente provincial admitiu também que, sem acordo, os valores disponíveis poderiam ser canalizados para outras prioridades da província, incluindo o apoio às vítimas das chuvas e cheias que afectam vários distritos.
Fontes ligadas ao processo indicam que a possibilidade de redireccionamento dos fundos para a resposta humanitária terá pesado na decisão dos trabalhadores de aceitarem o pagamento parcial e suspenderem a greve, informação que não foi oficialmente confirmada pelas autoridades.
Apesar da suspensão da paralisação, os funcionários reiteram que a aceitação dos dois meses constitui apenas uma solução transitória, mantendo-se a exigência do pagamento integral dos salários em atraso. Redacção
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