OPINIÃO
Fofocas nas instituições de trabalho: Como Identificar um(a) Colega Fofoqueiro(a)?
Nas instituições públicas e privadas em Moçambique, a fofoca tornou-se quase cultural — há quem não se sente bem voltar para casa sem falar mal da outra colega. Nos nossos postos de trabalho, há existência de grupinhos e alas formadas entre colegas — com a missão clara: falar mal dos outros colegas. Mas, há quem actua de forma individual — para mim, essa é mais perigosa que uma onça. Em vez de se unirem para fins profissionais ou crescimento mútuo, muitos desses grupos viraram verdadeiros “bancos de fofoca”, onde se trocam informações pessoais, se criticam os ausentes e, em alguns casos, se planeiam formas de prejudicar outros colegas. As fofoqueiras não dão tréguas — quando elas vêm que a colega está mal apresentada, elas falam mal. E quando a colega está bem apresentada, também falam mal. Para elas, tudo está errado. Não gostam de ver a outra com uma roupa nova e linda — será que são invejosas?
O novo perfil do(a) fofoqueiro(a) institucional
Durante muito tempo, a prática da fofoca era associada mais às mulheres, mas hoje em dia os homens também aderiram fortemente a esse comportamento. Em alguns ambientes de trabalho, há colegas que estão em todos os grupos, em todas as rodas, sempre sorrindo e “enturmados”. Mas cuidado: esse tipo de colega muitas vezes é quem mais espalha aquilo que ouve de um lado para o outro. Um verdadeiro “trabalhador da escuta”.
A principal arma do fofoqueiro não é a língua, mas os ouvidos. Ele ouve mais do que fala, mas quando fala, faz estragos. Até faz a questão de ligar para colegas fora do expediente para “passar” aquilo que escutou. Numa primeira impressão, parece uma boa pessoa, mas na verdade está apenas recolhendo outra informação para repassar em outro lado. Ele não sabe guardar o que ouve e vive em constante busca de novidades alheias. É uma pessoa que tem informação de (quase) todo mundo da instituição.
Fofoca ou traição?
É importante diferenciar fofoca de traição. Para mim, a fofoca ocorre quando alguém escuta, sem autorização, uma conversa alheia e repassa a informação para terceiros. Já a traição acontece quando duas ou mais pessoas falam mal de alguém, e um dos envolvidos vai contar ao falado — ou a outras pessoas — o conteúdo da conversa, quebrando a confiança daquele momento. E o mais comum nos nossos locais de trabalho hoje, é justamente a traição entre colegas. Aquela pessoa a quem você mais confia no trabalho, pode te trair amanhã.
Fofoqueira(o) espiã(o)
Alguns colegas se fazem de próximos apenas para “extrair” detalhes da vida do outro. Pedem para visitar a casa do colega, mostram-se preocupados, mas no fundo estão à caça de mais histórias para contar. Outros são verdadeiros espiões: investigam, perguntam, ligam, observam — tudo isso para ter assunto para alimentar a próxima fofoca. Colegas fofoqueiras têm mais informações que a própria vitima.
Cuidado: o fofoqueiro nem sempre é lambe-botas, mas os dois perfis andam muitas vezes juntos. Ambos vivem em função de agradar ou manipular para tirar vantagem ou ganhar favores, mesmo que isso custe a reputação alheia. Aí onde você trabalha, pode haver colegas que se comportam como “laminas” — que passam a vida a “cortar pão” dos outros. Mas esquecem que, um dia, o pão deles, também poderá ser cortado — é verdade, esta é “a lei do retorno”.
Como se proteger?
A melhor forma de se proteger é simples: evite longas conversas desnecessárias no ambiente de trabalho. Após cumprir as suas funções, vá logo para casa descansar, vai cuidar da sua linda família — aproveita ir fazer exercícios físicos, ler um livro, um jornal ou escutar aquelas músicas que tanto você gosta. Tenha cuidado com quem sempre te procura para “bater papo” sobre sua vida. Não confie demais: o colega que você pensa que é confiável, também tem o “colega dele de confiança”. Aquela mensagem que você pediu para não ser partilhada, vai te surpreender já está em circulação.
Para terminar: o ambiente de trabalho deve ser um espaço de respeito, amor, cooperação e crescimento profissional. A fofoca e traição entre colegas, corroem relações, destroem reputações e criam um ambiente tóxico. Colegas que vivem de ouvir e espalhar informações pessoais não são confiáveis — nem para elas mesmas. Não seja um deles. E mais importante: não alimente este tipo de comportamento. Seja prudente, ético e focado na sua missão. A confiança no local de trabalho é frágil — e uma vez quebrada, sera difícil de restaurar. A partir de hoje, seja colega que inspira, não o que destrói.
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