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ECONOMIA

Excesso de agentes nas estradas preocupa governador de Nampula

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O governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, manifestou preocupação com o elevado número de agentes e entidades envolvidas na fiscalização rodoviária, alertando que a situação tem criado transtornos aos cidadãos e espaço para práticas irregulares. A posição foi apresentada esta sexta-feira, durante a I Reunião Provincial do Sector dos Transportes, um encontro destinado a reforçar a coordenação institucional e a melhorar a eficiência e segurança no transporte rodoviário.

No seu discurso, o governante afirmou que a multiplicação de equipas de controlo, muitas vezes a abordar os mesmos veículos, está a gerar desorganização e desgaste para os utentes.

“Temos fiscalização nas estradas. Temos muitas polícias de trânsito nas estradas. Temos muita gente a fiscalizar. Até pessoas da agricultura vão fiscalizar carros nas estradas. Só falta governador, enfermeiro, médico ir para as estradas. Mas estão todos lá nas estradas. E é isto que eu quero acabar na minha governação. Vamos acabar com isso, mas é preciso ter a ajuda de cada um de vocês”, disse.

Abdula esclareceu que o objectivo não é eliminar o controlo, mas torná-lo eficiente, evitando duplicação de funções, lentidão na circulação e comportamentos desviantes. Segundo o governador, o actual cenário prejudica a relação entre o cidadão e o Estado e fragiliza a autoridade pública.

O dirigente denunciou ainda a existência de abordagens excessivas noutros pontos de controlo do Estado, que, no seu entender, resultam em constrangimentos e facilitam cobranças ilícitas.

“Não estou a dizer que não é importante. Não estou a dizer que não devemos controlar as nossas fronteiras. Devemos controlar minuciosamente. Mas essa pessoa já carimbou o passaporte. Já passou. Vem outro com uma farda de couro que ele inventou: ‘Passaporte’. Mostra o passaporte. ‘Aqui falta uma página’. Afinal, a página são 10 dólares”, exemplificou.

Por outro lado, Eduardo Abdula responsabilizou igualmente os condutores por contribuírem para práticas de corrupção na via pública.

“Está ali uma placa de 60 quilómetros. Nós estamos a 120. O trânsito manda-nos parar e diz que a multa é de 6 mil. Ah, chefe, veja lá… Fica negociado e a coisa acaba por 2 mil meticais. Ele transgrediu duas vezes. A primeira, falhou, estava com multa. Não pagou multa. Mas pagou ao polícia. Duas vezes cometeu crime. Então a culpa é nossa. Não há uma sociedade justa se nós, os fazedores dessa sociedade, não formos justos.”

O governador defendeu uma reorganização institucional que garanta uma fiscalização eficaz, sem excesso de abordagens e sem abertura para cobranças ilícitas.

“Se quisermos desenvolver esta província, estas práticas têm de terminar”, alertou.

Na parte final da sua intervenção, Eduardo Abdula apelou para que o encontro resultasse em soluções práticas e não apenas em discursos teóricos.

“O Governo Provincial, por mim dirigido, reafirma o seu compromisso firme de trabalhar sem descanso para tornar esta visão uma realidade. Porque aqui também se morre, aqui também se mata por acidentes. Então, eu pedia que discutíssemos o transporte, não viéssemos aqui filosofar, trazer discursos bonitos, apresentações bonitas, mesa-redonda, e saímos daqui e cada um continua tudo como estava ontem”, disse.

Para Abdula, apenas acções coordenadas, sustentadas por uma visão estratégica de longo prazo, permitirão à província superar os actuais desafios e promover um sistema de transporte mais seguro, acessível e eficiente. Vânia Jacinto

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