SAÚDE
Enfermeiros de Nampula pedem melhores condições de trabalho, mas repudiam vandalismo pós-eleitoral
A Ordem dos Enfermeiros de Nampula apelou esta segunda-feira (05.05) por melhores condições de trabalho nos hospitais e maior valorização da profissão, durante um encontro com o Secretário de Estado, Plácido Nerino Pereira, por ocasião do Dia da Parteira e do Dia Mundial da Lavagem das Mãos.
No encontro, os profissionais denunciaram a precariedade nas unidades sanitárias, a escassez de materiais e medicamentos, a baixa remuneração e as condições de moradia degradantes em distritos isolados. A província dispõe de apenas 3.100 enfermeiros para 250 unidades sanitárias, distribuídas por 23 distritos, número considerado insuficiente para garantir um atendimento adequado.
Nurcha Fonseca, enfermeira e delegada da Ordem, apelou ao governo para interceder junto das instituições estatais:
“Trabalhamos há muito tempo com limitações sérias, tanto de recursos humanos como materiais. Precisamos de condições mínimas para prestar cuidados com dignidade.”
A Semana da Enfermagem, que decorre este mês, inclui uma marcha marcada para 12 de Maio, em protesto contra os actos de vandalismo durante os protestos pós-eleitorais, que resultaram na destruição de hospitais, na morte de um enfermeiro e em ferimentos graves a cinco outros profissionais.
“Queremos demonstrar o nosso repúdio. Perdemos colegas e unidades. Hoje estamos impedidos de prestar cuidados básicos a bebés, idosos e mulheres”, lamentou Fonseca.
Ricardina Afonso, da Associação das Parteiras de Nampula, reforçou o apelo por dignidade profissional:
“Quando as condições não são boas, o atendimento é deficiente. Precisamos de apoio urgente.”
Em resposta, Plácido Nerino Pereira reconheceu os desafios e garantiu que o governo está a mobilizar recursos para reconstruir infraestruturas, adquirir medicamentos e equipamentos, e melhorar as condições de trabalho.
“Estamos a par do que foi apresentado. Já iniciámos a reconstrução de unidades destruídas, mas o momento é difícil. As soluções estão a ser discutidas a nível central.”
O Secretário de Estado prometeu ainda reforçar a advocacia junto do Governo Central, para acelerar a tomada de decisões que respondam às preocupações do sector.
A Ordem dos Enfermeiros de Nampula, representada por Nurcha Fonseca, rejeitou o encerramento de hospitais como forma de protesto, alertando para os riscos que isso representa à vida dos pacientes:
“Reivindicar é legítimo, mas nunca às custas da vida dos doentes. Devemos lutar com responsabilidade.” Daniela Caetano
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