OPINIÃO
De uma aparente Independência a um verdadeiro Calvário
Nos tempos idos, uma verdadeira paz, um verdadeiro estado democrático, era fruto da união de forças, assunção do espírito de patriotismo. Já lá vão 50 anos após a proclamação da Independência Nacional, cuja conquista remonta o ano de 1964, altura em que Moçambique e seu povo estava sob o jugo do regime colonial português. Justamente foi na razão da tomada de consciência de opressão que os moçambicanos resolveram sair do túmulo do medo de enfrentar o inimigo e definiu a própria páscoa, atravessando o mar vermelho, o colonialismo português.
Foi a 25 de Junho de 1975 que o saudoso Presidente da República Popular de Moçambique, Samora Moisés Machel, exerceu para Moçambique o verdadeiro papel de Moisés para a libertação do Povo de Israel, que esteve cativo no Egipto pelo regime de Faraó. Era o despontar de uma nova história, uma nova era, que dá para contar. Tudo foi possível quando os moçambicanos estudavam para a própria libertação, e não para alimentar uma nova elite que tudo faz em benefício de grupinhos enquanto outros definham-se para conseguir o pão.
Mas, quando os moçambicanos perderam o espírito de patriotismo, tudo ficou para a história, a independência caiu por terra. Cultivou-se o espírito de “cada um por si e Deus para todos”. Do espírito de cada um por si e Deus para todos nasceu a geração dos assassinos da paz e opressores nacionais. Consequências práticas: esfarrapou-se o sentido do Hino Nacional. Viramos estrangeiros no nosso próprio país, já Moçambique, que era nossa terra gloriosa, foi despido e pendurado no Calvário.
Vive-se, neste país, um Calvário no qual as condições de vida são um completo desastre:
O ângulo da saúde, cada vez mais precário: hospitais públicos desprovidos de medicamentos básicos e rodeados por profissionais cujo interesse, longe de tratar pacientes, está mais voltado a “boladas”. Médicos e enfermeiros que se atrasam dos postos de saúde, ocupando-se a tutelar hospitais pessoais (privados). Dos poucos agentes, que, por caridade, querem cuidar dos doentes, dando-os esperança, são abatidos com ameaças de perderem emprego e ficarem a pentear macacos.
O campo da nossa educação, caminhando sem norte nem sul. Alunos debaixo de cajueiros, livros com histórias mal contadas, professores menos assalariados e faltosos, infraestruturas deploráveis, fraco controle de faltas, exclusão dos encarregados de educação, alunos sem compromisso académico, etc.
O sistema de segurança, numa situação deplorável. Vive-se, no nosso país, um clima de insegurança total e completa: os que deveriam garantir a ordem e tranquilidade pública comprometem-se mais a estar ao serviço dos partidos que defender a causa do povo pela qual juraram na bandeira. Infelizmente, pautando por semear medo e terror neste povo cada vez mais inseguro. Realidade que muito vivenciamos no decurso das manifestações, em que irmãos mataram-se e continuam se matando sem remorso.
A vida económica, sempre lástima. Moçambique, apesar de ser um país cheio de riquezas naturais e culturais, tem uma enorme população vivendo abaixo do nível de pobreza (Papa Francisco, 2019): desemprego, desvios de aplicação dos fundos públicos, corrupção, falta de investimentos e falta de fiscalização da aplicação dos recursos existentes, etc.
Portas de emprego, sempre fechadas. Grande índice de jovens formados continua sem colocação. Os diversos anúncios de vaga referem-se a lugares já ocupados pelos filhos, amigos, namorados e namoradas dos chefes, e àqueles capazes de subornar as entidades de tutela profissional.
Campo da religião, covil de ladrões, com falsos profetas que as transformam em fontes de renda. Multiplicam-se, em cada dia, no nosso país, seitas religiosas com fins lucrativos, tuteladas por profetas que apenas sabem construir igrejas nas cidades onde esperam ganhar pão, distribuindo envelopes na venda de milagres, para apenas explorarem a inocentes e àqueles que se deixam enganar por pregações de quem dorme pagão e acorda “profeta”.
Vida política, “tutu mafia”. Diz-se que Moçambique é um país democrático e multipartidário. Mas a realidade demonstra o contrário:
Não há respeito à democracia: pois, as decisões tomadas pelos dirigentes não reflectem respeito à vontade do povo;
Não há respeito ao multipartidarismo: apesar de termos muitos partidos políticos no país, há um monopólio gigantesco de assentos nas assembleias e noutros lugares decisivos, o que ofende a representatividade das diferentes visões da sociedade e a consequente falta de alternância de poder.
Tomaram de assalto a vontade do povo para instaurarem a vossa tirania? Só seremos independentes neste país se melhorarem as nossas condições de vida: saúde, educação, segurança, rendas económicas, abertura de portas de emprego para as novas gerações, uma vida política que respeite a democracia. Deixem de olhar apenas para os seus umbigos. Todos queremos comer! Ouviram? Quem tem ouvidos, ouça!
-
SOCIEDADE4 meses atrásUniRovuma abre inscrições para exames de admissão 2026
-
CULTURA1 ano atrásVictor Maquina faz sua estreia literária com “metamorfoses da terra”
-
SOCIEDADE2 anos atrásIsaura Nyusi é laureada por sua incansável ajuda aos mais necessitados e recebe título de Doutora
-
DESPORTO1 ano atrásReviravolta no Campeonato Provincial de Futebol: Omhipithi FC é promovido ao segundo lugar após nova avaliação
-
OPINIÃO2 anos atrásO homem que só gostava de impala
-
ECONOMIA8 meses atrásGoverno elimina exclusividade na exportação de feijão bóer e impõe comercialização rural exclusiva para moçambicanos
-
POLÍTICA9 meses atrásGoverno de Nampula com nova cara: nove novos administradores e várias movimentações
-
OPINIÃO2 anos atrásDo viés Partidocrático à Democracia (Participativa)
