ECONOMIA
Conselho de Representação do Estado mudo há 16 dias sobre tragédia do INGD em Muecate
Dezasseis dias após os violentos confrontos entre populares e a Polícia no distrito de Muecate, que resultaram em um morto e quatro feridos, incluindo um menor de 15 anos, nenhuma autoridade provincial se pronunciou oficialmente sobre o incidente.
Os confrontos, ocorridos a 18 de Outubro de 2025, foram desencadeados após saques a armazéns do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), onde se encontravam alimentos e material agrícola destinados a apoiar vítimas do Ciclone Jude.
A Delegada Provincial do INGD em Nampula, Anacleta Botão, recusou-se a prestar esclarecimentos públicos, apesar de sucessivas tentativas de contacto por parte do Jornal Rigor. Na primeira abordagem, afirmou estar ausente da cidade; numa segunda, justificou-se com a preparação da visita da Primeira-Dama da República, ocorrida na semana passada.
Contactada novamente na manhã desta segunda-feira, 3 de Novembro, Anacleta Botão declarou que o caso de Muecate “não é da competência do INGD provincial”, atribuindo a responsabilidade à administração distrital.
“Esse é assunto do distrito, não é assunto do INGD, como tal. O que aconteceu lá tem que consultar o distrito”, afirmou.
Questionada sobre a necessidade de o INGD se pronunciar, tendo em conta que os bens saqueados estavam sob tutela do órgão, a delegada reiterou a sua posição:
“Mas eu vou falar o quê? O que aconteceu, aconteceu lá, na gestão deles. Quem deve explicar são eles”, respondeu.
Acrescentou ainda que o INGD funciona como estrutura de coordenação, e que cabe ao distrito esclarecer as autoridades e a comunicação social.
“Eles vão esclarecer a nós, vão esclarecer a vocês e a outras entidades. Todas as informações que vocês precisam saber estão lá”, concluiu.
O silêncio institucional, que já dura mais de duas semanas, levanta sérias interrogações sobre a transparência e a gestão de crises humanitárias na província de Nampula.
A organização Kóxukhuro, que denunciou o caso, continua a exigir uma investigação imparcial sobre o uso da força policial e a responsabilização dos agentes envolvidos.
Enquanto isso, as vítimas e as comunidades afectadas aguardam respostas, num clima de desconfiança crescente em relação às instituições públicas. Faizal Raimo
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