OPINIÃO
As declarações do Dom Inácio
As declarações de Dom Inácio Saure tocam num ponto sensível e necessário da vida nacional: o silêncio diante da injustiça e da corrupção também é uma forma de cumplicidade. O apelo à coragem, inspirado na fé cristã e na voz profética de Isaías, é pertinente e oportuno num contexto em que muitos moçambicanos vivem o peso da desigualdade, do abuso de poder e da impunidade.
Contudo, é legítimo e necessário ir mais longe na reflexão: onde está, concretamente, o papel da Igreja quando aqueles que respondem a este apelo à coragem são perseguidos, intimidados, marginalizados ou levados ao isolamento até se sentirem “arruinados”?
Não basta encorajar os fiéis e os cidadãos a serem corajosos, quando essa coragem se manifesta na denúncia da injustiça, os corajosos ficam sozinhos. A mensagem profética perde força quando se limita ao púlpito e não se traduz numa presença activa, solidária e visível ao lado dos que sofrem represálias por dizerem a verdade.
A Igreja, pela sua autoridade moral, capilaridade social e influência histórica, é chamada a ser mais do que uma voz inspiradora. É chamada a ser refúgio, escudo e aliada. A coragem cristã não é apenas individual; é comunitária. Quando um cidadão denuncia a corrupção ou a injustiça em nome do bem comum, deveria sentir que não enfrenta o sistema sozinho, mas acompanhado por uma Igreja que assume riscos, que interpela o poder e que protege os mais frágeis.
Isaías não foi apenas um anunciador de esperança abstracta; foi um profeta incómodo, inserido na dor concreta do seu povo. Do mesmo modo, o papel da Igreja hoje exige proximidade real com as vítimas da injustiça: acompanhamento jurídico, denúncia institucional, mediação pública e, sobretudo, presença firme ao lado dos que pagam um preço alto por não se calarem.
Sem essa presença activa, o apelo à coragem corre o risco de se transformar numa transferência de responsabilidade: pede-se heroísmo ao povo, enquanto as instituições permanecem em zonas de conforto. A verdadeira profecia não apenas encoraja a falar, mas também sustenta quem fala.
Num país marcado pelo medo, a Igreja tem a oportunidade — e o dever — de mostrar que a fé não é apenas consolo espiritual, mas também compromisso concreto com a justiça, a verdade e a dignidade humana. Só assim a coragem deixará de ser um fardo solitário e passará a ser um caminho colectivo.
Pachoneia activista Social enfrentou um banco dos réus sozinho, sem nenhum outro activista e Igreja o acompanhar , foi condenado luta por um recurso- como dizer aquele homem coragem?
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