SOCIEDADE
AdRN perde 40% da água por fugas e vandalismo, mas garante qualidade nas torneiras
A empresa Águas da Região Norte (AdRN) revela que enfrenta perdas alarmantes de até 40% da água produzida diariamente, devido a um conjunto de factores que incluem fugas técnicas, vandalismo, ligações clandestinas e roubo de contadores. Apesar desse cenário, a empresa garante que a água que chega às torneiras dos consumidores é potável e cumpre rigorosos padrões nacionais e internacionais de qualidade.
Segundo Captine Ernesto, administrador técnico da AdRN, a maior parte das perdas ocorre depois do complexo processo de captação, tratamento e distribuição, que se inicia na estação de tratamento de água (ETA) da cidade de Nampula. “Temos perdas físicas e comerciais. As físicas referem-se a fugas em tubagens, ruturas e falhas técnicas. Já as comerciais dizem respeito a actos de vandalismo e manipulação de contadores”, explicou.
Estas perdas representam entre 35% a 40% da água tratada e colocam em risco a sustentabilidade operacional da empresa. “Estamos a falar de quase metade da água que sai da ETA e nunca chega a ser facturada. Estamos a intensificar o controlo e a criar gabinetes técnicos especializados para combater essas perdas, mas é um processo exigente”, afirmou.
Apesar das dificuldades, Ernesto assegura que o tratamento da água é rigoroso e contínuo. A ETA segue várias etapas — coagulação, floculação, decantação, filtração e desinfecção com cloro granular — antes de a água ser encaminhada para os centros de distribuição e, depois, para os bairros.
A AdRN afirma que cumpre os regulamentos do Ministério da Saúde e, em certos parâmetros, é ainda mais exigente do que a Organização Mundial da Saúde (OMS). “Todos os meses, há análises físico-químicas e microbiológicas feitas por laboratórios do Estado e pelas nossas equipas. Os resultados são favoráveis”, garantiu.

Captine Ernesto, administrador técnico da AdRN, garante que a água tratada cumpre padrões rigorosos de qualidade e apela ao fim do vandalismo nas infraestruturas.
Questionado sobre denúncias de má qualidade da água, Ernesto foi categórico: “Dizer que a água é imprópria sem apresentar exames laboratoriais é especulação. Quem afirma isso deve provar com análises. Filmar água turva num balde qualquer não é evidência.”
A empresa assegura ter reservas suficientes dos principais químicos usados no tratamento, como sulfato de alumínio, cloro granular (HTH) e cal. “Temos autonomia para mais de 50 dias de cloro, 10 a 15 dias de HTH e boas reservas de cal. Os produtos estão centralizados num armazém e redistribuídos conforme as necessidades das áreas operacionais”, explicou.
O técnico apelou à população para não vandalizar infraestruturas, explicando que isso prejudica toda a comunidade. “Água contaminada pode entrar nas tubagens danificadas, sobretudo perto de lixo ou fossas. Isso compromete a saúde pública.”
Para monitorar perdas, a AdRN usa macro-medidores nas estações e centros de distribuição, comparando a água produzida com a efectivamente consumida e facturada. Isso permite ajustar as intervenções técnicas e reforçar o controlo.
Apesar dos desafios, a AdRN garante o compromisso com o fornecimento de água segura em Nampula. “Sabemos que há muito a melhorar, mas trabalhamos todos os dias para garantir água tratada, controlada e segura para consumo humano”, concluiu Ernesto. Faiza Raimo
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