OPINIÃO
A sinistralidade rodoviária
A sinistralidade rodoviária não pode continuar a ser explicada apenas pelo “factor humano”. Em muitas situações, a principal causa dos acidentes está no próprio tipo de estrada. Quando uma via não é concebida para permitir ultrapassagens seguras, por mais sistemas de segurança, campanhas educativas ou sinalização que se instalem, os acidentes continuarão a acontecer.

É contraditório encontrar numa estrada o sinal que autoriza velocidade de 100 km/h, quando a mesma estrada não oferece condições mínimas para ultrapassagem. Na prática, o condutor é obrigado a circular atrás de um veículo que segue a 60 ou 70 km/h, criando frustração, filas longas e decisões perigosas. É neste contexto que surgem ultrapassagens forçadas, feitas em locais impróprios, que acabam em colisões frontais e mortes evitáveis.
Estradas estreitas, sem faixas adicionais para ultrapassagem, sem separadores centrais e com visibilidade reduzida não são compatíveis com limites elevados de velocidade. A incoerência entre o desenho da estrada e a sinalização é, por si só, um risco permanente. Não basta culpar o condutor quando o próprio sistema empurra o cidadão para situações de perigo.
Se o Estado quer reduzir a sinistralidade rodoviária, deve começar por repensar o modelo das estradas: adequar os limites de velocidade à realidade da via, criar faixas de ultrapassagem alternadas, melhorar a largura das plataformas e investir numa engenharia rodoviária moderna e segura. Caso contrário, continuaremos a contar vítimas, enquanto fingimos que o problema está apenas no comportamento de quem conduz.
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José Luzia
Dezembro 29, 2025 at 4:01 pm
Excelente!