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OPINIÃO

A Inação Digital- “febre” do momento: Entre o Auxílio e o Abismo

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Há dois anos, no meu artigo “Inteligência Artificial: Ética, Direitos de Imagem e os Limites de Uso da Tecnologia”, defendi a urgente necessidade de regulamentar o uso da Internet e da inteligência artificial. Hoje, o cenário digital em Moçambique continua perigosamente desregulado e sem controlo, contribuindo para uma série de problemas sociais que ameaçam o nosso tecido comunitário [partilhámos até o que não deviamos]. A tecnologia, que deveria ser a nossa maior aliada no desenvolvimento sócio-político e económico, torna-se um potencial motor de retrocesso quando não é devidamente direccionada.

Especialistas são unânimes: o problema não reside na tecnologia em si, mas na inação da nossa sociedade e no uso desordenado que dela se faz. Em países com realidades semelhantes à nossa (Tanzânia e Burquina Faso, a título de exemplos), a tecnologia não só impulsiona a economia, como também respeita os limites éticos e morais. Este contraste obriga-nos a uma profunda reflexão sobre o futuro que estamos a construir.

As consequências desta passividade são visíveis e alarmantes. A falta de regulamentação contribui para a disseminação de informação falsa, para a erosão de valores morais e  culturais e, de forma mais insidiosa, para a desvalorização do próprio conhecimento. Quando a informação circula sem filtros, a distinção entre o que é verdadeiro e o que é falso desvanece-se. A formação de uma geração “sem conhecimento sólido”, como enunciado o Professor Wilson Nicaquela, embora conectada, carece das ferramentas de pensamento crítico essenciais para inovar.

Como já dizia um ancião e líder religioso [Sheikh Úmar Aiuba], “se falharmos nesta geração, os nossos filhos nos culparão por sermos os idosos do amanhã.” Este é o fardo da nossa responsabilidade. Para isso, precisamos de um quadro legal claro para a Internet e a Inteligência Artificial, um investimento sério em programas de alfabetização digital e um compromisso de toda a sociedade em valorizar o conhecimento genuíno, a ética e o mérito.

A tecnologia é uma ferramenta para o progresso, mas, sem direcção, pode tornar-se um perigo. O tempo para o debate passou. A hora de agir é agora, antes que o silêncio da nossa inação custe demasiado caro às gerações futuras.

 

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