ECONOMIA
Pesquisador moçambicano denuncia subvalorização das universidades no PESOE 2026
O pesquisador moçambicano Adelino Inácio Assane, especialista em educação, criticou o Plano Económico e Social do Estado (PESOE) 2026 por, no seu entendimento, desvalorizar o ensino superior e negligenciar o papel estratégico das universidades públicas no desenvolvimento do país. A análise do académico revela que, enquanto o documento prevê a contratação de 2.325 professores para o ensino básico, o ensino superior contará com apenas seis novos docentes, número considerado insuficiente para garantir qualidade, renovação académica e produção científica.
Segundo Assane, este desequilíbrio demonstra que o Estado não está a investir de forma séria no subsector. “A maior parte do tempo, os professores acabam sobrecarregados com o ensino e não conseguem desenvolver actividades essenciais, como pesquisa, produção científica, extensão universitária e participação em eventos acadêmicos. Essa sobrecarga compromete directamente a qualidade da formação e o desenvolvimento dos nossos estudantes”, alertou.
O pesquisador sublinhou ainda que o PESOE faz escassa referência às universidades, sinal claro de que o ensino superior não constitui prioridade. “Infelizmente, o termo ‘universidade’ praticamente não aparece, e o ensino superior é mencionado apenas sete vezes. Isso revela falta de atenção do Estado a um sector estratégico para o desenvolvimento humano e económico do país”, destacou.
Assane denuncia igualmente a dificuldade das universidades em renovarem os seus quadros docentes. “Exceptuando os institutos politécnicos recém-criados, as universidades quase não admitem novos quadros nos últimos cinco anos. Apenas fazem via mobilidade, o que cria sobrecarga e dificulta actividades essenciais para a docência universitária, comprometendo a pesquisa, a extensão e a produção científica”, explicou.
O académico defende que não é possível falar em desenvolvimento sem investimento consistente no ensino superior. “O ensino técnico-profissional só pode ser robusto se houver investimento paralelo nas universidades. Educação não é gasto; é investimento estratégico que gera retorno social e económico”, frisou.
Diante das limitações financeiras do Estado, Assane recomenda que as instituições de ensino superior busquem alternativas de financiamento, incluindo projectos internacionais e parcerias com universidades estrangeiras. “É preciso coragem política. As instituições devem procurar alternativas que permitam compensar a falta de docentes e preservar a qualidade da formação”, concluiu. Vania Jacinto
-
SOCIEDADE6 meses atrásUniRovuma abre inscrições para exames de admissão 2026
-
SOCIEDADE2 anos atrásIsaura Nyusi é laureada por sua incansável ajuda aos mais necessitados e recebe título de Doutora
-
CULTURA1 ano atrásVictor Maquina faz sua estreia literária com “metamorfoses da terra”
-
DESPORTO2 anos atrásReviravolta no Campeonato Provincial de Futebol: Omhipithi FC é promovido ao segundo lugar após nova avaliação
-
OPINIÃO2 anos atrásO homem que só gostava de impala
-
ECONOMIA10 meses atrásGoverno elimina exclusividade na exportação de feijão bóer e impõe comercialização rural exclusiva para moçambicanos
-
POLÍTICA11 meses atrásGoverno de Nampula com nova cara: nove novos administradores e várias movimentações
-
OPINIÃO2 anos atrásDo viés Partidocrático à Democracia (Participativa)
