SOCIEDADE
Subfinanciamento de acções de combate à desnutrição agrava índice em Nampula
Rastreio da Despesa Pública e Auditoria Social revela que investimento não chega a 1% do orçamento
O investimento feito pelo governo na área da nutrição continua a ser considerado “muito baixo”, representando menos de 1% do orçamento alocado a cada distrito, apesar de Nampula ter uma das mais altas taxas de natalidade e de maior densidade populacional do país.
A informação foi partilhada esta quarta-feira (27), por Adelino Xerinda, Director de Programas da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), durante o encontro de apresentação dos resultados do Rastreio da Despesa Pública e Auditoria Social no Sector da Nutrição, realizado pela FDC em parceria com a UNICEF.
“O investimento que foi feito na área da nutrição é muito baixo. Só a título de exemplo, o orçamento é menos de um por cento daquele que é alocado para cada distrito. E investir apenas 1% em comunidades com população numerosa e uma taxa de natalidade tão alta é claramente insuficiente”, referiu.
O estudo, realizado em Nampula, Zambézia e Sofala, avaliou a execução orçamental e o nível de investimento em nutrição. No caso de Nampula, a análise centrou-se nos distritos de Erati, Meconta e Monapo, escolhidos pela presença de actividades da FDC e pelo fluxo de financiamento.
Segundo Xerinda, para além do baixo investimento, a nutrição sofre de falta de coordenação multissectorial. “A componente da nutrição é multissectorial, inclui vários sectores e actores, mas conseguimos notar que não existe uma coordenação nem um alinhamento das actividades. Isso fragiliza o impacto”, explicou.
Outro ponto crítico identificado é a limitação do conhecimento comunitário sobre nutrição adequada. “Não basta só produzir comida, é preciso saber utilizá-la, e em que fase da vida da criança essa alimentação faz diferença. Sabemos que os primeiros 1000 dias são determinantes. A taxa de natalidade em Nampula é tão alta que nenhum serviço social está preparado para suportar esta pressão sem medidas adicionais”, alertou.
A FDC e a UNICEF defendem maior advocacia junto dos órgãos de soberania provincial e central para garantir mais recursos e políticas públicas robustas. “Se não tivermos pessoas saudáveis, não teremos comunidades desenvolvidas. Investir nos primeiros anos de vida é garantir o futuro. Caso contrário, vamos sobrecarregar o sistema de saúde com consequências mais pesadas”, advertiu Xerinda. Assane Júnior
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