Connect with us

SOCIEDADE

Lil Wayne, Gamito vs Guiquira: disputa por reconhecimento em Nampula

Publicado há

aos

Polémica sobre prémios expõe debate sobre transparência e valorização da juventude

O clima aqueceu em Nampula depois de o activista social e defensor dos direitos humanos, Gamito dos Santos Carlos, acusar o Conselho Municipal de falta de transparência e exclusão na atribuição de reconhecimentos públicos a jovens da cidade. O caso ganhou força após a edilidade anunciar a premiação de 100 mil meticais ao cantor e deputado Orlando Orjana, conhecido por Lilwayne de Moz, pelo título conquistado numa competição internacional de boxe.

Gamito dos Santos, que em 2024 foi distinguido com dois prémios internacionais inéditos em Moçambique — pela FrontLine Defenders (Irlanda) e pela Southern Defenders (África Austral) —, reagiu com indignação, afirmando que o município ignora feitos que elevaram o nome de Nampula além-fronteiras. “O processo é menos transparente, exclusivo e politizado. Não existem critérios claros de selecção, e jovens que levam o nome da cidade ao mundo não são valorizados”, escreveu o activista em carta dirigida ao presidente do município.

Na sua carta dirigida ao município de Nampula, Gamito dos Santos critica o processo de reconhecimento, classificando-o como exclusivo e discriminatório. Segundo escreve, “outros jovens residentes nesta cidade não tiveram a mesma oportunidade, mesmo tendo sido homenageados internacionalmente por organizações de maior reconhecimento no mundo”. Para o activista, a ausência de critérios claros apenas reforça desigualdades no tratamento dado aos jovens de Nampula.

O activista vai mais longe e considera que a decisão da edilidade foi politizada. “É do conhecimento de todos que o jovem em causa milita no mesmo partido político em que Sua Excia, o senhor Presidente do Conselho Municipal, também milita. Daí não termos dúvidas de que esta homenagem trata-se de um evento político. Caso contrário, os factos falariam por si”, acusou.

A resposta não tardou. O edil Luís Guiquira desafiou o activista a apresentar provas documentais das distinções recebidas. “Na verdade, estou a ouvir pela primeira vez este activista que diz ter recebido o prémio. Se recebeu, não foi um reconhecimento público. Nós estamos a ouvir pela primeira vez através da imprensa e acreditamos que, se ele se aproximar e trouxer os tais prémios, nós podemos também fazer reconhecimento. Não temos aqui a discriminar ninguém. É nosso trabalho, como Conselho Municipal, dirigir todos os munícipes da nossa cidade, e estamos abertos”, comentou, sublinhando não ter conhecimento do mérito do activista.

Guiquira explicou ainda que os 100 mil meticais prometidos a Lilwayne de Moz serão mobilizados através de parcerias com diferentes instituições, dentro de duas semanas, defendendo que a iniciativa visa estimular a juventude a investir na cultura, no desporto e em outras actividades que promovam a cidade. “Temos muitos parceiros que estão dispostos a abraçar o desporto, a cultura, e vamos, através deles, trazer este nosso campeão à cena e incentivar os nossos jovens a praticarem mesmo a modernidade, para que Nampula seja campeã. Nós queremos ser campeões em tudo”, disse.

A polémica expôs não apenas a disputa entre um activista e a edilidade, mas também um debate maior sobre como e quem deve ser reconhecido pelas autoridades locais. Para uns, a homenagem ao artista é justa, mas para outros revela a necessidade de critérios claros, justos e inclusivos na valorização da juventude que projecta Nampula no mundo. Vânia Jacinto

Continue Lendo
Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Mais Lidas