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SOCIEDADE

Três meses após Jude, há 43 famílias em centros de reassentamento em Namicopo

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Mais de três meses após a passagem do Ciclone Jude, que assolou a província de Nampula, 43 famílias continuam a viver em condições extremamente precárias no mercado Mphavara, na cidade de Nampula. As vítimas do desastre denunciam abandono por parte das autoridades governamentais e afirmam não ter alternativas de reassentamento.

Sem casas desde que as chuvas provocadas pela tempestade tropical destruíram as suas habitações, estas famílias encontraram refúgio temporário num espaço público concebido para o comércio, e não para habitação. No entanto, o “temporário” transformou-se em rotina de sobrevivência marcada por fome, insegurança, insalubridade e desespero.

“O único apoio que recebemos foram plásticos. Mas o que vamos fazer só com plástico, se temos crianças para cuidar? Outros locais já receberam chapas de zinco e até casas. Nós, até agora, nada”, lamenta Eva Mendes, uma das residentes do abrigo improvisado. O sentimento é partilhado por muitos, como Issa Jamal, que questiona: “Disseram que iam nos ajudar, mas até agora não vimos nada. Estamos preocupados. Temos filhos e não temos onde ir.”

Segundo os afectados, a única assistência significativa veio de confissões religiosas muçulmanas, que ofereceram alimentos. Do Estado, dizem ter recebido apenas lonas de cobertura, consideradas claramente insuficientes para reconstruir uma vida.

A situação agrava-se com o aviso recente de que o governo pretende retirar as famílias do mercado para que o espaço retome a sua função original de comércio. No entanto, os deslocados exigem garantias mínimas de reassentamento digno antes de aceitarem sair.

“Este mercado é do governo, sim, mas nós não temos para onde ir. Só nos deram plástico. Vamos fazer o quê com isso? Gostaríamos de receber barrotes ou bambus para cobrir as casas e voltar aos nossos terrenos”, explicou Amade Abdala, que lidera o grupo de famílias deslocadas.

Além da falta de abrigo, os moradores enfrentam o drama da fome e da degradação sanitária. Sem emprego fixo, muitos dependem da solidariedade entre vizinhos para ter o que comer. “Vivemos mal. Para comer, dependo dos meus vizinhos. Aqui vivemos como uma família, nós ajudamos uns aos outros”, contou Alima José Joaquim. Vânia Jacinto

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