ELEIÇÕES GERAIS 2024
A revolução anunciada por Venâncio Mondlane para 7 de Novembro foi apenas um alarme em Nampula
Até as primeiras horas desta sexta-feira, 8 de Novembro de 2024, Nampula permanecia inalterada. A segurança, composta por agentes da polícia e militares, estava activa em toda a área central da cidade, com foco na região onde se encontram os órgãos judiciários (na cidadela municipal em Muahivire), também no edifício do Banco de Moçambique, cercado por várias instituições governamentais, incluindo o gabinete de Manuel Rodrigues, governador de Nampula.
Os apoiadores de Venâncio não conseguiram entrar na cidade, pois os militares e a polícia estabeleceram um cordão de segurança, bloqueando todas as vias de acesso. Diferentemente de outras ocasiões, o comportamento foi mais contido, com intervenção apenas em Muahivire e Muhala-Expansão. Durante a manhã, (9 horas), os manifestantes começaram as suas acções na famosa terminal de chapas de Muahivire, a cerca de dez metros de um posto policial, na antiga e conhecido controlo de Angoche. A polícia conseguiu controlar a situação após um intenso confronto. Não recebemos informações sobre feridos ou fatalidades mortais.

Queimaram o comité de zona do partido Frelimo no bairro de Muhala-Expansão
Um grupo de manifestantes queimou, o comité de zona do partido Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), localizado no bairro de Muhala-Expansão, bem como incendiou quatro barracas instaladas ao longo da Avenida Eduardo Mondlane, na cidade de Nampula.
Trata-se de uma sede de construção precária, construída com base em bambus, paus e chapas de zinco. Um morador do bairro diz que a acção foi praticada por cidadãos, numa altura em que o bairro observava a tranquilidade e sem agitação.
“Vieram duas pessoas carregadas na motorizada e perguntaram se havia manifestação na zona, nós respondemos que nada aconteceu, estava calmo, e a seguir, sem contarmos, decidiram atear fogo a sede do partido e foram embora, sem deixar rastos”, contou o cidadão que não quis ser identificado.
Ainda na mesma zona, ao longo da Avenida Eduardo Mondlane, outro grupo queimou quatro barracas também construídas com material precário.
A Polícia da República de Moçambique, através da porta-voz do Comando Provincial em Nampula, Rosa Chaúque, confirmou o incidente, mas considera que, no cômputo geral, a cidade ainda continua calma, apesar da ocorrência de alguns “pequenos incidentes”.
“Tivemos registos de dois casos de desordem pública na cidade de Nampula, concretamente na Avenida Eduardo Mondlane assim como na avenida FPLM, no mercado Nalokho, onde uma barraca foi incendiada, e assim como quatro barracas foram incendiadas. Este grupo de manifestantes teria colocado barricadas na via pública, condicionando a livre circulação de pessoas e bens, e graças a um trabalho coordenado, a Polícia fez-se no local onde dispersou as pessoas e fez a retirada dessas barricadas”, disse.
Instituições públicas e privadas estiveram encerradas
A cidade de Nampula, capital da província com o mesmo nome, parou literalmente e, consequentemente, várias instituições públicas, privadas e estabelecimentos comerciais forçaram o encerramento.
Escolas públicas e privadas, Lojas, supermercados, estabelecimentos bancários com portas fechadas, ruas meio desertas e com a agentes das Forças Armadas de Defesa de Moçambique e da Polícia da República de Moçambique, em diversas especialidades, a vasculharem todo canto do centro urbano, foi cenário que se viveu na quinta-feira, na cidade de Nampula.
A nossa equipa de reportagem rondou, quase por toda cidade, nas avenidas e ruas mais circuladas, como a Avenida do Trabalho, Samuel Paulo Khamkomba, constatou que pouca gente circulava na rua, por conta do clima de manifestações.
Portanto, nas artérias da cidade de Nampula, entrevistamos Carlos Paulo Alfane, vendedor ambulante, que disse estar a somar prejuízos, por conta das manifestações, uma vez que sobrevive através de pequenos negócios.
“Desde que começou as manifestações já não vendo como antes, agora estamos a morrer de fome. Seria bom que dialogassem entre as pessoas envolvidas nestas greves, o que nós queremos é voltar a trabalhar na normalidade, essa maneira de trabalhar não ajuda. Nós fugimos à falência no distrito, mas também na cidade já vivemos falidos”, disse.
Quem sofreu prejuízo no dia de ontem igualmente foram, também, os alunos que viram-se obrigados a interromper as provas finais.
“Como estava previsto, hoje era para ser um dia de manifestação, nós tivemos algumas provas, mas fomos dispensados, essa manifestação não está sendo boa para nós alunos, nós estamos sendo muito prejudicados. Daquilo que eu tinha ouvido, era para ser uma manifestação pacífica, não era para haver disparos”, lamentou Neide da Júlia, aluna que frequenta a 10 classe, na Escola Secundária de Nampula.
Joenia Carlos, aluna da Escola Básica Parque Popular, foi uma das nossas entrevistadas que lamentou o facto de ontem não ter estudado.
“Não sabia que não haveria aulas, porque teríamos provas. Cheguei aqui e está vazio, assim vou para casa”, disse visivelmente preocupada.
Paulino Paqueleque, um outro cidadão por nós entrevistado, aconselha aos manifestantes para que se manifestem de forma pacífica e sem violência.
“Essa manifestação deve ser pacífica e teve a ver com a coordenação. Não se pode destruir bem públicos, lojas e outros, assim também estão a castigar os nossos filhos que estão a perder as aulas na escola. Não estamos a trabalhar, temos medo de ir à machamba, então podiam mesmo sentar e coordenar e dar o que a pessoa quer”, apelou. Vânia Jacinto
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