SOCIEDADE
Dom Inácio Saúre condena imposição de fé: “Movidos pela fé, sim. Pela força, não”
O Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre, criticou abertamente o uso de coação por parte de alguns líderes religiosos para forçar a participação de fiéis em peregrinações, defendendo que a fé deve ser sempre vivida em liberdade. A posição foi expressa no domingo (29), durante a missa solene de ordenação de quatro diáconos, realizada no contexto das celebrações jubilares dos 50 anos da Independência de Moçambique.
“Espero hoje que ninguém aqui tenha vindo coagido — forçado — pelos párocos. O pároco diz: ‘Já arranjei um camião, todos devem lá ir. Aqueles que não forem devem justificar por escrito ou então serão severamente punidos’”, declarou o Arcebispo, em tom crítico, alertando contra práticas contrárias ao espírito evangélico.
Dom Inácio referia-se aos relatos que circulam nas redes sociais sobre fiéis obrigados a comparecer em actividades religiosas por imposição dos seus superiores, o que considerou uma violação da liberdade cristã.
“Os peregrinos devem viver a sua fé movidos unicamente pela fé, sim. Pela força, não”, sintetizou o prelado.
Dom Inácio insistiu que a peregrinação deve ser uma expressão pessoal e comunitária de fé, e não uma obrigação imposta por autoridades religiosas.
“Para nós, católicos, a peregrinação pode ser definida como uma possibilidade de exprimir a fé em Jesus Cristo — de ser testemunha — em comunidade de viagem e de marcha. Permite-nos concentrar e dar forma à busca de Deus”, explicou.
Num contexto social e religioso marcado por estruturas hierárquicas rígidas, o Arcebispo sublinhou que a vivência espiritual deve ser livre e voluntária.
“A vida do dia-a-dia — nas nossas casas, no mercado — muitas vezes não nos permite concentrar. A peregrinação dá-nos essa oportunidade”, observou.
Dom Inácio exorta novos diáconos a serem testemunhas até às últimas consequências
O Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre, apelou aos novos ministros para que assumam a vocação com coragem, fidelidade e espírito de entrega total, à semelhança dos apóstolos Pedro e Paulo.
“O meu desejo é que estes quatro jovens sejam diáconos apóstolos… que sejam também mártires — quer dizer, testemunhas da fé até às últimas consequências”, afirmou o prelado, numa homilia profundamente marcada pelo simbolismo do martírio cristão.
Dom Inácio recordou que, com a ordenação, os jovens passam a integrar oficialmente o clero e são chamados a viver em celibato, consagrados ao serviço do altar, da Palavra e da caridade, sobretudo junto dos mais pobres e marginalizados.
“A consagração neste estado de diáconos dá-vos graças verdadeiras para ser santos já neste estado”, sublinhou, exortando-os a “guardar o ministério da fé com consciência pura” e a viver como “ministros de Cristo e dispensadores dos mistérios de Deus”. Redacção
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