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SOCIEDADE

Visita relâmpago ao sector da Educação: Governador de Nampula diz que “não gostou do que viu” e denuncia desorganização

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NAMPULA, 2 de Maio de 2025 — O Governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, fez esta sexta-feira uma visita relâmpago e não anunciada à Direcção Provincial da Educação, onde deixou duras críticas à gestão do sector. Ao final da inspecção, que incluiu paragens na sede da direcção, na Inspecção Provincial e num armazém de livros escolares, o governante declarou-se “zangado, desapontado e triste” com o que encontrou.

“Saio daqui altamente desapontado. Temos obras inacabadas, muitas reclamações da sociedade civil e, na verdade, muitos dos problemas são da nossa própria responsabilidade como Governo”, afirmou Abdula, visivelmente frustrado.

Armazém de livros sem contrato há quatro anos

Um dos momentos mais tensos da visita ocorreu no armazém onde são guardados os livros escolares da província. O espaço está a ser usado há quatro anos sem qualquer contrato formal — apenas com uma carta de confissão de dívida por parte da entidade gestora.

“Isto é grave. Estamos há quatro anos num espaço alugado, sem contrato. Não podemos continuar assim. Posso dizer que há um esquema aqui? Não sei. Não é minha função investigar isso. Mas o que posso afirmar é que o nosso sistema não está saudável”, denunciou o governador, exigindo mudanças urgentes.

Obras pagas, mas nunca concluídas

Abdula denunciou ainda a existência de obras públicas pagas na totalidade mas que continuam por concluir, algumas delas com prazos de execução expirados há vários anos. Segundo revelou, há empreiteiros que receberam 100% do valor e simplesmente desapareceram.

“Temos obras que datam de 2018, com prazos de seis meses, e já se passaram seis anos. Quero um relatório completo em cinco dias úteis: quais são as empresas, o que foi pago e porquê. Precisamos saber se os fundos foram desviados ou mal aplicados”, exigiu.

Apesar da gravidade dos factos, o governador disse que a primeira abordagem será de negociação com os empreiteiros. “Queremos dar uma oportunidade para que as obras sejam concluídas. Se houver resistência injustificada, então vamos avançar pelas vias legais.”

Pagamento de horas extras e ausências injustificadas

Outro ponto que mereceu crítica severa foi o pagamento de horas extras a docentes ausentes, fenómeno que o governador associou à falta de controlo e fiscalização efectiva nas escolas.

“Já estive pessoalmente em algumas escolas nas primeiras horas do dia e encontrei salas sem professores. Como é que se justificam horas extras quando o docente nem está presente? Há discrepâncias graves entre o que se regista e o que acontece na realidade.”

Abdula defendeu o reforço da inspecção escolar e maior responsabilização das direcções. “É preciso uma inspecção mais proactiva, mais eficaz. Temos que estudar e entender por que estas irregularidades persistem.”

“Confesso, saio triste”

No fecho da visita, Eduardo Abdula voltou a expressar frustração com a falta de respostas e soluções para problemas que se arrastam há mais de uma década. Um exemplo citado foi o caso de gestoras que reclamam há 15 anos pela instalação de leitores e cujos pedidos ainda não foram resolvidos.

“Se este problema já leva 15 anos sem solução, não será em cinco dias que se resolve. Mas essa resposta deixo consigo mesmo”, disparou, dirigindo-se aos gestores presentes.

O Governador garantiu que continuará a fazer visitas inopinadas a outros sectores do Governo Provincial. “Não estou aqui para fazer teatro. Estou aqui para entender o que realmente está a acontecer, e agir.” Faizal Raimo & Zeferino Jumito

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