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POLÍTICA

Tensão explode em Calipo após detenções de membros do ANAMOLA e posto policial é incendiado

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Uma forte tensão instalou-se no posto administrativo de Calipo, no distrito de Mogovolas, província de Nampula, após a detenção de dois membros do partido ANAMOLA, incluindo o coordenador local, culminando, na manhã desta segunda-feira, com a destruição e incêndio do posto policial da localidade.

De acordo com informações apuradas pelo Jornal Rigor, as detenções ocorreram no último sábado e desencadearam um clima de instabilidade e hostilidade entre simpatizantes do partido e a Polícia da República de Moçambique, situação que acabou por escalar para actos de violência contra a infraestrutura policial.

Na sequência dos acontecimentos, o delegado provincial do ANAMOLA, Castro Niquina, deslocou-se a Mogovolas para se inteirar da situação e manteve um encontro com o comandante distrital da PRM, com o objectivo de obter esclarecimentos sobre as detenções. Segundo Niquina, durante a reunião, a polícia confirmou as detenções, mas não avançou, até ao momento, os crimes concretos de que os cidadãos são acusados, encontrando-se o processo ainda em fase de instrução.

“Ontem tivemos conhecimento de que dois dos nossos membros foram detidos, incluindo o coordenador de Calipo, sem que lhes fosse apresentado qualquer mandado ou notificação formal. Ele estava numa farmácia a comprar medicamentos para os filhos quando foi preso”, relatou o delegado provincial.

Segundo Castro Niquina, o partido continua sem informações detalhadas sobre as acusações. “Disseram-nos que são indiciados por vários crimes, mas não nos especificaram quais. Em nosso entender, podemos ainda associar este cenário a um ritmo de perseguição política”, afirmou, acrescentando que, na mesma localidade, houve baleamentos que resultaram em quatro feridos, dos quais dois morreram.

“Não sabemos ainda se as vítimas eram garimpeiros ou membros do ANAMOLA. Precisamos de mais informações para podermos avançar com uma análise mais séria”, explicou.

O delegado comentou ainda o clima de tensão entre a polícia e os membros do partido. “O relacionamento entre a polícia e a população, principalmente com os membros do ANAMOLA, não é saudável em toda a província. Temos uma polícia politizada, que muitas vezes actua favorecendo um partido em detrimento de outro. Muitas vezes sentimos-nos ameaçados”, acusou.Vânia Jacinto

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