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Silêncio do Governo leva professores à reflexão colectiva em Nampula
Centenas de professores da província de Nampula interromperam as suas actividades lectivas na última Sábado (19) para participar numa jornada de reflexão nacional, exigindo do Governo respostas concretas sobre o não pagamento de horas extraordinárias, a precariedade nas escolas e a falta de assistência médica.
A Associação Nacional dos Professores declarou o dia como “Dia Nacional de Reflexão pela Educação”, denunciando o silêncio e a incoerência do Executivo face às promessas feitas à classe.
Segundo Amós João Pires, porta-voz da ANAPRO, a reflexão serviu para auscultar os professores e recolher propostas de acção diante de um cenário que, segundo acusa, tem sido marcado por promessas não cumpridas.
“Esta reflexão é, antes de mais, para escutar os professores. Os problemas são antigos e já foram apresentados às autoridades, mas não há sinais de abertura para soluções reais. Precisamos recolher as sensibilidades dos colegas para determinar o caminho que vamos seguir. Não podemos continuar com conversas sem resultados”, declarou.
O pagamento das horas extraordinárias, segundo o porta-voz, é um dos pontos mais críticos. Em Nampula, milhares de professores continuam à espera da compensação por horas de trabalho adicionais, enquanto as autoridades locais dizem não ter capacidade de resolver o problema.
“Estamos numa situação lamentável. Mesmo quando apresentamos o problema aos responsáveis, a desculpa é sempre a mesma: ‘não temos competência localmente’. Mas isso já ultrapassa o razoável. O Governo central precisa assumir a sua responsabilidade. A questão das horas extras virou uma sucessão de falácias”, criticou.
Amós João Pires lembrou ainda que o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, afirmou publicamente que o dinheiro para o pagamento das horas extras já tinha sido canalizado para as províncias e que os pagamentos começariam na semana seguinte. No entanto, viria mais tarde a condicionar os pagamentos à aprovação do Orçamento Geral do Estado, o que, para o porta-voz, revela incoerência ao mais alto nível.
Na sua opinião, falta coordenação no seio do Governo, e o Presidente da República não pode deixar-se envolver pelas mesmas “falácias dos seus subordinados”, acrescentando que, na base, “não está a ser feito absolutamente nada”.
A ANAPRO diz manter diálogo com o Governo, incluindo com o governador de Nampula, Eduardo Abdula, e a Direcção Provincial da Educação. Embora reconheça alguns avanços pontuais, considera-os insuficientes e de impacto limitado.
Segundo a associação, as melhorias registadas dizem respeito apenas a aspectos menores, como pedidos de informação ou gestão administrativa, mas nenhuma das questões que afectam profundamente a dignidade e o bem-estar dos professores teve resposta concreta até agora. Vâania Jacinto
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