OPINIÃO
Que tal, se os directores das escolas em Moçambique, fossem eleitos pelos professores?
Um novo caminho para a democratização da gestão escolar
Moçambique tem adoptado o modelo centralizado de nomeação dos directores escolares, uma prática que, embora administrativamente funcional, tem (as vezes) gerado inquietações dentro da comunidade docente. A nomeação directa, feita muitas vezes por critérios pouco transparentes, desliga o gestor escolar do corpo docente e da realidade local, criando ambientes de trabalho pouco colaborativos e afectando o desempenho pedagógico ou escolar.
Imaginemos agora um modelo alternativo, em que os directores das escolas fossem eleitos pelos próprios professores e funcionários da escola — o segundo mais votado da lista, ocuparia o cargo do director adjunto pedagógico. Um modelo em que a liderança fosse legitimada pela base, promovendo confiança, compromisso colectivo e responsabilização democrática. Alguns líderes comunitários, pais e encarregados de educação, também poderiam fazer parte da eleição do director – pois criaria inclusão e bom relacionamento (escola – comunidade).
A minha proposta sobre o modelo de eleição de directores escolares, permitiria que os próprios docentes escolhessem quem melhor os representa — alguém que conheça as reais necessidades da escola e que tenha histórico de ética, dedicação e liderança. Ao invés de diretores que se sentem protegidos por nomeações de confiança política, teríamos líderes pedagógicos comprometidos com o desenvolvimento da comunidade escolar.
As ZIPs (Zonas de Influência Pedagógica) e núcleos locais da ONP (Organização Nacional dos Professores), poderiam muito bem organizar o processo eleitoral, em comissões justas e participativas. As escolas básicas, tanto as secundárias, poderiam eleger os seus gestores. O processo seria transparente e acessível, com critérios claros, como por exemplo: bom desempenho profissional, idade não superior a 60 anos, conduta exemplar e, preferencialmente, formação em Pedagogia, Administração, Gestão ou Liderança Escolar.
Eu acho que actualmente, muitos professores não se identificam com os directores nomeados. Por isso, alguns funcionários, optam por transferir da escola — outros preferem criar braço-de-ferro directo com a direcção. Sentem-se desmotivados por trabalhar sob chefias que não respeitam suas opiniões e que agem com muita arrogância e autoritarismo, escudados pelo poder que lhes foi atribuído “de cima”. Já se viu casos de directores que, por não serem legitimados pela equipa docente, enfrentam resistência passiva e baixa colaboração, comprometendo o ambiente pedagógico.
Atenção! A eleição dos directores não eliminaria todos os desafios da educação, mas acredito que permitiria fortalecer o sentimento de pertença e co-responsabilidade. Um mandato electivo, renovável de cinco em cinco anos, traria estabilidade e oportunidade para avaliação contínua da sua liderança e dar espaço os outros.
Caríssimos! É chegado o tempo de reflectirmos se o modelo actual serve, de fato, aos interesses da educação ou apenas perpetua estruturas fechadas. O Ministério da Educação e Cultura (MEC) deve considerar esta minha proposta como um passo estratégico para tornar a gestão escolar mais democrática, transparente e eficaz.
Directores e directores adjunto pedagógicos legitimados pela vontade dos seus colegas, terão mais consciência do seu papel transformador. E escolas bem geridas resultam em alunos melhor preparados, professores mais motivados e uma educação mais sólida para o país. Afinal, quem é melhor para escolher um líder escolar, do que aqueles que convivem diariamente com a realidade da escola?
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