ECONOMIA
Preços em Nampula registam deflação, mas famílias continuam a sentir peso da alimentação
A cidade de Nampula registou, em Junho de 2025, uma deflação mensal de 0,11%, resultado da queda dos preços em sectores como Habitação, água, electricidade, gás e combustíveis, bem como em alguns produtos alimentares. Segundo a Delegação Provincial de Estatística, contribuíram para esta descida a redução do preço do tomate (-10,9%), da batata reno fresca (-8,6%), do camarão fresco (-7,7%) e do gasóleo (-3,1%).
Apesar do alívio pontual, outros produtos contrariaram a tendência, como o carapau (+5,6%), o peixe fresco (+4,5%) e o vestuário infantil (+19,4%), que juntos acrescentaram 0,35 pontos percentuais à inflação.
Mas os números oficiais contrastam com a realidade vivida pelas famílias, que continuam a sentir o custo de vida como insuportável. “O custo de vida está muito mal. As coisas não descem, só estão a subir. Óleo encontra-se a 500 ou 700 meticais, arroz de 25 kg a mil e tal, já não como na altura em que comprávamos a 700”, contou Fernando Adamo.
Para Lionido Carlitos, sustentar a família tornou-se impossível: “Até agora, para conseguir 25 kg de farinha é preciso mil e tal meticais. Com um salário de três mil por mês, nem para comida chega, quanto mais para vestir a mulher e cuidar das crianças. Antes era difícil, mas agora está impossível”.
Também Domingas Abílio recorda que os tempos mudaram: “Com 100 meticais já não dá para almoçar. Antigamente, 100 valiam como 20 hoje. Comprava-se óleo, açúcar, arroz… Agora tudo subiu: o óleo, a farinha de milho e, acima de tudo, o arroz, que já foi dos mais acessíveis”.
Estes testemunhos ajudam a perceber por que razão a alimentação continua a ser o principal factor de pressão sobre o orçamento das famílias. No acumulado do primeiro semestre de 2025, os preços subiram 0,16%, sobretudo devido ao aumento de refeições completas em restaurantes, arroz em grão, capulanas e feijões. Já a inflação homóloga — comparando Junho de 2025 com igual mês do ano anterior — fixou-se em 3,58%, com maiores pressões nos sectores de Restaurantes, hotéis e cafés (+8,70%) e Alimentação e bebidas não alcoólicas (+7,11%).
Ou seja, mesmo que a deflação de Junho ofereça um breve alívio estatístico, a realidade confirma que o peso da alimentação continua a empurrar famílias para maiores dificuldades, evidenciando a distância entre os indicadores macroeconómicos e o dia a dia da população. Redacção
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