ECONOMIA
Praia da Carrusca deixa de ser pública: artesãos expulsos e barracas queimadas em Chocas Mar
Vinte e seis artesãos que trabalhavam há mais de duas décadas na praia de Cocas Mar, em Mossuril, foram expulsos de forma arbitrária e violenta do espaço onde exerciam as suas actividades, após a venda do restaurante “Carrusca Mar e Sol” a novos proprietários. A acção, sem aviso prévio, resultou na destruição e queima de todo o material de trabalho, deixando dezenas de famílias sem sustento e sem alternativa imediata.
Segundo apurou o Rigor, o espaço em causa situa-se na orla marítima, uma zona pública por natureza, onde a ocupação privada é restrita por lei. Contudo, os artesãos denunciam que o novo patronato pretende encerrar o acesso à praia para executar obras de requalificação do restaurante, numa iniciativa que consideram “um ataque directo ao direito de uso comum do mar e das areias”.
“Nenhum dia ele nos falou que tinha vendido o espaço. Ontem, pelas 15 horas, avisou-nos para tirar as coisas. Pedimos tempo, mas ele disse: ‘Se quiserem, tirem; se não, eu tiro à força’.”, contou Afito Amisse, um dos artesão.
Os artesãos relatam que o antigo proprietário havia permitido a permanência e até construído uma cabana de apoio, reconhecendo o valor cultural e turístico do artesanato local. “Tudo o que temos vem deste trabalho. Aqui aprendemos a fazer esculturas e a sustentar as nossas famílias. Agora, destruíram tudo sem consideração.”, lamentou Amisse Sualehe, artesão há 12 anos.

Restos do ofício perdido, cabanas destruídas e material artesanal espalhado na Praia da Carrusca, em Chocas Mar, após a expulsão de 26 artesãos que trabalhavam há mais de 20 anos na orla marítimaNo local, permanecem vestígios de barracas queimadas, peças partidas e ferramentas inutilizadas. “Tínhamos muito material aqui. Imagina, 20 ou 30 famílias a trabalhar juntas. Agora queimaram tudo. Não sabemos a quem recorrer.”, contou Faruque Muze, com 20 anos de experiência na arte local.
Para os artesãos, a acção representa uma privatização ilegal da orla marítima e uma ameaça directa ao turismo comunitário. “A praia é de todos. Não se pode vender o mar. Trabalhámos aqui há décadas e nunca incomodámos ninguém.”, frisou Amisse.

Vestígios das cabanas queimadas na Praia da Carusca, em Chocas Mar
“Queremos apenas um lugar para trabalhar. Não pedimos dinheiro, pedimos justiça.”, concluiu Faruque Muze.
A Praia da Carrusca é uma das mais belas e procuradas zonas costeiras do norte de Moçambique. Conhecida pelas águas calmas e cristalinas, pelas areias brancas e pelos extensos coqueirais, há décadas é um refúgio natural e símbolo do turismo de Mossuril. O local sempre foi espaço de convivência entre turistas, pescadores e artesãos, que encontraram na orla marítima não apenas um meio de sustento, mas também um palco para expressar a cultura e o talento da região..
Em Moçambique, a orla marítima é considerada domínio público do Estado e, por lei, deve manter-se acessível a todos os cidadãos. A Lei n.º 20/2019, que regula o uso do espaço marítimo e costeiro, e o Decreto n.º 97/2020, sobre a gestão das zonas costeiras e praias, determinam claramente que nenhuma faixa marítima pode ser privatizada, sendo proibida qualquer ocupação que impeça o acesso público ao mar.
O antigo proprietário do restaurante “Carrusca Mar e Sol”, Aníbal Carlos, não entrou em muitos detalhes. Limitou-se a confirmar que os artesãos foram avisados com a devida antecedência para abandonarem o local, justificando a decisão com o interesse em proceder à venda do imóvel.
O administrador do distrito de Mossuril, Hélio Rareque, que igualmente recusou gravar entrevista, confirmou que o espaço foi efectivamente vendido e que, até ao momento, não é conhecido o destino que será dado à área. O responsável explicou ainda que o local permanece vedado ao público, apesar de situar-se numa zona de domínio público marítimo, onde a ocupação privada é restrita por lei. Redacção
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Jamal Ibraimo
Novembro 3, 2025 at 8:01 pm
Segundo informações de pessoas de Chocas Mar, dizem que o “Sr. Aníbal foi chantageado para vender. Por de trás está sempre o famoso Nyusi que quer privatizar como fez com a Ilha Sete paus”