SOCIEDADE
Padre Cantifula de Castro aponta exclusão e défice democrático como causas da cibercidadania em Moçambique
O Padre Cantifula de Castro considera que a exclusão da população nos meios tradicionais de participação, o défice democrático e a busca de identidade são factores que impulsionaram o nascimento da cibercidadania em Moçambique. Para o sacerdote, estas dinâmicas explicam como as plataformas digitais se tornaram espaços de mobilização para a participação activa e para o exercício da cidadania.
O religioso interveio no segundo painel do simpósio e lançamento do livro comemorativo “Vida Nova 65”, que decorre nesta terça-feira em Nampula, onde abordou o tema “Da esfera digital à acção social: o papel da informação digital na participação sociopolítica e formação da consciência cidadã”. Sublinhou que as redes sociais deixaram de ser apenas canais de comunicação interpessoal para se afirmarem como palcos de debates e decisões que influenciam a vida social e política.
“Se antes estas plataformas serviam apenas para trocar mensagens, hoje são espaços de mobilização que conduzem a acções concretas. Passámos de uma comunicação unidireccional para uma cultura participativa, onde todos somos produtores, consumidores e difusores de conteúdos”, destacou.
Segundo Cantifula, a juventude encontra na esfera digital uma alternativa para expressar ideias e lutar contra injustiças, sobretudo porque se sente excluída dos canais tradicionais de participação.
“Há um défice democrático que não permite a livre expressão. As redes sociais tornam-se, assim, um meio oportuno para manifestação e reivindicação”, afirmou.
O sacerdote recordou exemplos globais, como o movimento Black Lives Matter, nos Estados Unidos da América, e o movimento Anamalala, em Moçambique, que demonstram a capacidade de transição do espaço virtual para a mobilização nas ruas. No entanto, alertou para os riscos da desinformação, da repressão estatal e da manipulação por algoritmos, que tanto podem amplificar vozes como silenciar narrativas.
Cantifula defendeu ainda a urgência de investir em literacia digital e mediática, de modo a capacitar os cidadãos para distinguir informação verdadeira da falsa e proteger activistas de ameaças digitais.
“A cibercidadania nasce como resposta concreta e como forma de resistência. Mas, para que seja emancipadora, precisamos equilibrar oportunidades e riscos, garantindo que todos tenham espaço para manifestar ideias e participar activamente na vida política e social do país”, concluiu. Redacção
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