ECONOMIA
Nampula: jovens transformam o desemprego em oportunidade de negócio
Segundo o Anuário Estatístico de 2022, a província de Nampula continua a registar a maior proporção de desempregados à procura do primeiro emprego, representando 22,9% do total nacional. Perante este cenário, alguns jovens procuram no empreendedorismo a saída para escapar ao desemprego e alcançar independência financeira.
É o caso de Ali Raimaly, que iniciou o seu negócio de importação com recursos limitados. “É difícil encontrar alguém para financiar os nossos negócios, mas existem estratégias que podemos usar com o pouco que temos. Eu, por exemplo, comecei a importar produtos da China para Moçambique sem ter um capital admirável. Lecionava e, com o dinheiro das inscrições dos alunos, comprei algumas mercadorias até conseguir vender cá. Foi assim que legalizei a minha empresa, usando apenas o dinheiro da própria importação”, contou.
Ali Raimaly, de 25 anos, criou em 2022 a empresa Raimaly Importações, quando ainda frequentava o curso de Engenharia Agrónoma na Universidade Mussa Bin Bique, no qual se graduou em 2024. Com poucos recursos, começou a importar pequenos lotes de produtos da China, reinvestindo os lucros e ganhando experiência no comércio enquanto conciliava os estudos com o sonho de empreender. Formalmente legalizada em 2025, a empresa dedica-se à venda de produtos electrónicos, vestuário e electrodomésticos, oferecendo também entregas ao domicílio.
Para responder a este desafio estrutural de falta de emprego, que afecta sobretudo jovens e mulheres, o Governo de Moçambique está a implementar o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), um mecanismo destinado a financiar iniciativas produtivas e a gerar oportunidades de auto-emprego. A expectativa é que o fundo contribua para reduzir os índices de desemprego e criar alternativas de renda sustentável.
Mas Raimaly sublinha que o apoio financeiro, por si só, não resolve o problema, sendo necessário ensinar os jovens a empreender. “O governo deve não apenas financiar, mas também capacitar. Há coisas que não aprendemos nas escolas: ensinam-nos matemática, física ou biologia, mas não como montar um negócio. Para alcançar independência financeira é preciso passar pela estabilidade e pela autonomia, e isso só é possível com conhecimento prático aliado a algum apoio institucional. Existem jovens com várias ideias, mas que não têm como começar, por falta até de um financiamento mínimo”, afirmou.
Na mesma linha, Suidique considera que a chave está na capacitação prática. “Há falta de emprego, mas também os jovens não têm apoio. Muitos não sabem elaborar um plano de negócio. Antes de lançar projectos, devia haver capacitação, para que os jovens consigam gerir. Muitos têm ideias, mas transformar essas ideias em projectos é difícil sem orientação”, defendeu.
Já Hassam Carlitos acredita que o maior entrave está na mentalidade. “Os jovens precisam despertar a mente. Onde há uma dificuldade também há uma oportunidade. Para começar um negócio não é preciso ter cem mil ou duzentos mil. É preciso disciplina, visão e vontade de crescer. Muitos reclamam da falta de dinheiro, mas o dinheiro, por si só, não resolve: é a atitude que transforma ideias em negócios”, frisou. Assane Omar
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