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ECONOMIA

Angoche aposta na recuperação da indústria do caju para relançar a economia

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A Presidente do Conselho Autárquico de Angoche, Dalila Ussene, anunciou que o município está a trabalhar em parcerias estratégicas para revitalizar o antigo parque industrial da cidade, com destaque para as fábricas de processamento de caju, que no seu auge chegaram a empregar mais de 12 mil famílias. O objectivo é devolver dinamismo à economia local e criar uma base sólida para o futuro.

Segundo a edil, decorrem negociações com investidores internacionais interessados em modernizar unidades fabris ligadas ao caju e a outras actividades agro-industriais. “Pode não ser o mesmo modelo do passado, mas queremos um processo moderno que gere novos empregos e renda”, afirmou.

O declínio industrial das últimas décadas provocou o encerramento de fábricas e a consequente perda massiva de postos de trabalho, deixando milhares de famílias em situação de vulnerabilidade. Para Ussene, mesmo que apenas metade das oportunidades de outrora seja recuperada, já representará “uma grande vitória para a economia de Angoche e da província”.

A estratégia municipal passa por atrair investidores capazes de introduzir novas tecnologias e modelos de gestão sustentáveis. Além da criação de empregos directos, a autarquia prevê efeitos multiplicadores em sectores como transporte, comércio, agricultura familiar e prestação de serviços. “Cada novo posto de trabalho gera oportunidades indirectas para várias famílias”, destacou a Presidente.

A recuperação da indústria do caju deverá também reforçar a arrecadação fiscal e ampliar a autonomia financeira do município, permitindo maiores investimentos em infra-estruturas, educação, saúde e saneamento. “Mais empresas activas significam mais recursos para melhorar a vida da população”, sublinhou Ussene.

Historicamente, Angoche foi um dos principais polos industriais do norte de Moçambique, sustentado pelas fábricas de caju e pela Companhia de Culturas de Angoche (CCA), que chegou a ser o maior complexo industrial da região. O colapso desse sector comprometeu a economia local, mas a localização estratégica da cidade, aliada à ligação ao porto, continua a ser uma vantagem competitiva para atrair novos investidores.

Dalila Ussene garantiu que já existem contactos promissores com empresários estrangeiros dispostos a apostar na recuperação da indústria de caju e na diversificação industrial. “Angoche tem todas as condições para se afirmar como um centro logístico e industrial de referência”, concluiu.

Recorde-se que a Companhia de Culturas de Angoche (CCA), criada no período colonial, foi durante décadas o maior complexo agro-industrial da região, dedicada ao processamento e exportação de castanha de caju. O declínio iniciou-se na década de 1990, com a liberalização económica e a crise da indústria de caju, que levaram ao encerramento das unidades fabris e a um aumento acentuado do desemprego. Segundo a edil, a autarquia aposta na modernização e no regresso da indústria do caju como forma de recuperar esse papel central na economia local. Faizal Raimo

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