SOCIEDADE
Nampula aposta no agronegócio para combater desnutrição
O Governo da província de Nampula pretende reduzir de forma significativa os elevados indicadores de desnutrição, apostando no fortalecimento de um agronegócio inclusivo e sustentável.
Actualmente, Nampula é a província com a maior taxa de desnutrição crónica em Moçambique: cerca de 46% da população é afectada, evidenciando uma contradição alarmante entre o potencial agrícola da região e o estado nutricional da sua população.
Para enfrentar este problema persistente, o Governo, através da Direcção Provincial da Agricultura e Pescas, em coordenação com parceiros de desenvolvimento, vai organizar a 1.ª Conferência Internacional de Nutrição e Agronegócios (CINA I), marcada para os dias 26 e 27 do próximo mês. O evento visa criar um espaço de diálogo e acção para impulsionar sistemas alimentares sensíveis à nutrição, promovendo uma ligação efectiva entre a produção agrícola e a melhoria da saúde alimentar.
Segundo Manuel Chicamisse, director provincial da Agricultura e Pescas, o encontro contará com a participação de vários países, dos quais Nampula espera colher experiências de sucesso no combate à desnutrição. “A questão da nutrição está intimamente ligada à educação alimentar. Uma pessoa pode ter alimentos, mas, sem o conhecimento adequado, pode não conseguir diversificar a sua dieta, especialmente no consumo de proteínas de origem animal, como ovos, carnes e leite, que são essenciais para o crescimento saudável”, explicou.
O desafio vai além de produzir para vender. O objectivo é ensinar as comunidades a conciliar o agronegócio com a nutrição familiar: produzir para o mercado, mas também reservar parte da produção para garantir uma alimentação equilibrada e diversificada. Actualmente, muitos camponeses, ao priorizarem apenas a venda dos produtos, acabam por negligenciar a sua própria alimentação, perpetuando quadros de subnutrição nas famílias. A estratégia passa por mudar esta mentalidade, incentivando práticas que valorizem simultaneamente a geração de renda e a segurança nutricional.
Chicamisse destacou ainda a necessidade de promover a produção de culturas alimentares mais nutritivas, como a batata-doce de polpa alaranjada, que oferece melhores valores nutricionais do que a mandioca, além de reforçar boas práticas de processamento alimentar. “Queremos aprender, por exemplo, com o Brasil, como integrar de forma permanente produtos como a batata-doce ou a mandioca nas dietas familiares”, frisou.
A educação alimentar será, assim, uma das principais apostas da estratégia provincial. “Queremos provocar uma mudança de mentalidade, de práticas alimentares e de operacionalização dos programas de produção. Queremos que as mães saibam que tipo de alimentos oferecem melhores condições de saúde para os seus filhos e, paralelamente, transformar o agronegócio num motor de segurança nutricional. Este é um compromisso que pretendemos assumir para os próximos cinco anos”, concluiu Manuel Chicamisse. Vânia Jacinto
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