SOCIEDADE
Na Rota Waresta-Muhala Expansão via Matadouro: Chapeiros fogem da degradação da estrada, enquanto as autoridades fingem combater o problema
Os transportadores semi-colectivos de passageiros, conhecidos como “Chapas 100”, que operam na rota Waresta-Muhala Expansão, via Matadouro, na cidade de Nampula, estão a abandonar o trajecto devido à intensa degradação da estrada.
De acordo com informações apuradas pelo Rigor, os motoristas estão a fugir para rotas alternativas que apresentam condições mínimas, como as rotas Waresta-Muahivire e Waresta-Mutava-Rex. Aqueles que ainda permanecem fiéis à sua rota são obrigados a desviar-se, evitando passar pela via do Matadouro.
Os transportadores de semi-colectivos relatam que, a cada dia, enfrentam prejuízos causados pelo estado da estrada. Diante disso, muitos consideram a mudança de rota a melhor solução.
“Na verdade, estamos a desistir desta rota, porque a via não está boa. Enfrentamos problemas com os carros quase toda a semana e, diariamente, um veículo quebra por causa da estrada. A via está péssima; ora é o pneu, são as rótulas, é a suspensão–quase tudo se quebra. Por isso, muitos decidiram retirar os carros daqui e colocá-los em outras vias”, contou Hélio Armando, um dos transportadores fiéis à rota, apesar da degradação das estradas.
“Essas covas são um problema, e muitas pessoas estão a desistir, tirando as suas viaturas para rotas como Muahivire e Memória. Eu conheço pelo menos 10 pessoas que já abandonaram a rota. O melhor seria organizar a estrada”, afirmou Danilo Alfredo Momade Abudo, outro transportador que solicita uma intervenção urgente na estrada, antes que não haja mais carros a circular nesse trecho.
Fonseca Pedro Moreira, outro motorista, expressou indignação com a demora da intervenção por parte do Conselho Municipal, exigindo que a cidade de Nampula exerça as suas responsabilidades.
“A solução seria o governo, que se diz responsável, organizar as estradas. Parece que esqueceram esta rota. Se compararmos com a rota de Muahivire, vejo que houve intervenção por algum motivo”, comentou.
Enquanto a estrada continuar em péssimas condições, milhares de cidadãos que dependem do transporte público para se deslocar pelas zonas que utilizam a rota Waresta-Muhala Expansão, serão cada vez mais prejudicados. Segundo apuramos, os passageiros estão a ser forçados a buscar alternativas, o que resulta em custos adicionais.
“A falta de chapas atrasa os meus planos. Por exemplo, se eu pegar a chapa às 11h para chegar ao centro da cidade ou à terminal, leva uma hora. Antigamente, não era assim. Muitos estão a encurtar as rotas. Para chegar ao campo dos Macondes, você paga 30 meticais”, afirmou Belito Armando Mateus.
A nossa equipa de reportagem procurou a Associação de Transportadores de Nampula (ASTRA) e a Autarquia de Nampula, que confirmaram ter conhecimento do abandono da rota pelos motoristas.
Luís Vasconcelos, presidente da ASTRA, afirmou que, antes, circulavam 80 carros licenciados na rota Waresta-Muhala Expansão, mas o número diminuiu drasticamente. Ele reconhece que a degradação da estrada é o principal motivo para a desistência dos transportadores, mas destaca que a ASTRA não tem autoridade para forçar os motoristas a continuar a circular numa estrada nessas condições.
“É pela situação da estrada que muitos transportadores deixaram de operar nesta rota. Praticamente não há chapas a circular nela devido ao estado da via. Sabemos disso, mas a ASTRA não pode obrigar os transportadores a continuar considerando a condição da estrada. O que devemos fazer é aguardar a posição do Conselho Municipal sobre as alternativas que eles oferecem para esta rota”, explicou.
Por sua vez, Carlos Nelson Furumula, vereador do Pelouro de Transportes, Comunicação e Tecnologia do Conselho Municipal de Nampula, afirmou que estão a ser realizadas fiscalizações em conjunto com a Polícia Municipal e a Polícia da República de Moçambique, para neutralizar os veículos que estão a abandonar a rota e para evitar que circulem fora das rotas licenciadas.
“Encontrámos veículos com fitas amarelas e, por cima, colocaram fitas verdes. Eles alteram as fitas, mas as licenças que possuem não correspondem àquela zona, o que torna a situação complicada para nós. Estamos a trabalhar em conjunto com a Polícia Municipal, a Polícia da República de Moçambique e os nossos fiscais rodoviários”, explicou.
Vale lembrar que o presidente da Autarquia, Luís Giquira, assegurou que, após o término da época chuvosa, a estrada do mercado do Matadouro será reconstruída.Vânia Jacinto
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