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ECONOMIA

Mudanças climáticas e estradas destruídas agravam crise agrícola em Nampula

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O director provincial de Agricultura e Pescas de Nampula, Manuel Chicamisse, alertou que a província enfrenta uma dupla ameaça que fragiliza a produção agrícola: a crescente vulnerabilidade às mudanças climáticas e a destruição de infra-estruturas viárias, que limita o escoamento dos produtos para os mercados.

Segundo o responsável, Moçambique é um dos países mais expostos do mundo a desastres naturais, tendo registado, entre 1980 e 2025, 25 ciclones tropicais, 20 inundações e 12 secas. Nampula tem estado entre as províncias mais afectadas, com fenómenos que provocam perdas agrícolas, destruição de casas, estradas e outros bens. “A nossa província tem sido duramente atingida por secas prolongadas, chuvas intensas e ciclones que destroem não apenas as culturas, mas também as infra-estruturas necessárias para levar a produção ao mercado”, explicou.

Chicamisse recordou que tempestades tropicais recentes, como Chido, Dikeledi e Jude, danificaram estradas e pontes, deixando produtores isolados e dependentes de intermediários. “Quando as vias ficam intransitáveis, o camponês não consegue escoar a sua produção. Passa a depender do intermediário, que compra ao preço que quer, muitas vezes abaixo do aceitável”, disse.

Apesar de algumas reabilitações em curso, o director provincial reconheceu que a situação continua crítica. “Ainda existem comunidades com grande capacidade produtiva, mas sem acesso a mercados estruturados. Isso fragiliza o rendimento familiar e perpetua o ciclo de pobreza”, lamentou.

Para Chicamisse, os fenómenos climáticos extremos e a fragilidade das infra-estruturas têm um efeito combinado: reduzem a produtividade, encarecem os alimentos e comprometem a segurança alimentar de milhares de famílias. Por isso, defende que a adaptação climática e a reabilitação de estradas rurais sejam tratadas como prioridades estratégicas para o desenvolvimento agrícola da província.

“A agricultura é a base da nossa economia e a sobrevivência das comunidades depende dela. Mas sem resiliência climática e sem estradas transitáveis, não há como garantir o futuro do sector”, concluiu. Redacção

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