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SOCIEDADE

Moçambique pode ficar refém de conhecimento importado se não investir em investigação, avisa académico Taquidir de Gussule

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O académico e docente universitário Amarildo Taquidir de Gussule alertou que o futuro da docência no ensino superior em Moçambique depende de um investimento sério e contínuo na investigação científica. Segundo o académico, sem este pilar, as universidades continuarão a formar apenas docentes que transmitem conteúdos, mas não produzem conhecimento.

Falando recentemente a jornalistas, à margem do Fórum dos Dirigentes das Instituições de Ensino Superior, realizado sob o lema “Financiar o Ensino Superior, Investir no Futuro e Promover o Desenvolvimento Sustentável”, Gussule sublinhou que a universidade deve ser, acima de tudo, um espaço de criação de ciência e não apenas de repetição.

“Se não pautarmos por um investimento sério no campo da pesquisa, as nossas instituições vão continuar apenas no processo de ensino-aprendizagem e não na investigação e extensão, que são a verdadeira resposta às necessidades da comunidade”, afirmou.

Para o académico, a investigação científica representa a ponte entre a universidade e a sociedade, permitindo que o conhecimento gerado seja aplicado na resolução de problemas concretos. “É a investigação que traz soluções, que responde às doenças, à pobreza, à agricultura e ao desenvolvimento social. Se ficarmos só pela sala de aula, não vamos avançar”, acrescentou.

Gussule defendeu que existem docentes com iniciativas de pesquisa, mas que estas acabam bloqueadas pela ausência de orçamento. A falta de subsídios de investigação, reconheceu, é um dos maiores entraves ao avanço do sector. “Os docentes querem investigar, mas não têm apoio. Para fazer ciência é preciso investimento. Sem ele, ficamos apenas a ensinar, sem contribuir para a produção de conhecimento novo”, explicou.

O académico destacou ainda que a extensão universitária, quando bem articulada com a pesquisa, é capaz de dar respostas práticas às comunidades, reforçando o papel social da universidade. “A nossa ciência deve sair do papel e chegar às comunidades. Sem isso, não estamos a cumprir o verdadeiro papel da universidade”, disse.

Gussule advertiu que, sem esta mudança de paradigma, o país continuará a depender de conhecimento importado, em vez de produzir soluções próprias. “Outros países já entenderam que sem ciência não há desenvolvimento. Nós precisamos de assumir esse caminho de forma séria e estruturada”, frisou.

O docente universitário apelou às instituições de ensino superior e ao Governo para que criem mecanismos de apoio permanente à investigação, de forma a transformar a universidade num centro de produção de saber. “A universidade não deve ser apenas lugar de aulas, deve ser também laboratório de ideias e de soluções para o país”, defendeu.

Para Gussule, este é o grande desafio da docência universitária em Moçambique: abandonar o modelo centrado apenas no ensino e investir fortemente na ciência, para que os docentes formem novas gerações e, ao mesmo tempo, gerem conhecimento que sirva ao desenvolvimento nacional. Assane Júnior

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