SOCIEDADE
Mendicidade em idosos cresce em Nampula por falta de apoio estatal
No seu dia, idosos exigem dignidade diante da exclusão social
A Associação dos Munícipes de Nampula (AMUCINA) acusa o Governo de falhar no cumprimento do artigo 124 da Constituição da República, que consagra o direito da pessoa idosa à protecção especial da família, da sociedade e do Estado. Segundo o presidente da organização, Carlos Francisco, a ausência de políticas públicas eficazes está a empurrar cada vez mais idosos para a mendicidade.
“Os idosos deviam beneficiar de condições de habitação, convívio familiar e comunitário e de atendimento em instituições públicas e privadas que evitem a sua marginalização. Porém, a realidade é de abandono”, afirmou Francisco.
O dirigente denunciou ainda situações de despejo, acusações de feitiçaria e preços elevados de bens essenciais, que tornam insustentável a vida da terceira idade. “É dramático ver pessoas idosas transformadas em sem-abrigo, quando a Constituição lhes garante protecção e dignidade”, sublinhou.
Na visão da AMUCINA, os idosos são uma “herança viva da nação, guardiões da memória colectiva”, mas o Estado tem falhado em assegurar o seu bem-estar. “Sem apoio, muitos acabam nas ruas, sustentando-se apenas da mendicidade, em vez de viverem com a dignidade que lhes é devida”, acrescentou.
A associação exige medidas urgentes, como habitação social para os que perderam familiares e programas de apoio alimentar, sob pena de a exclusão social da terceira idade continuar a crescer em Nampula.
… e clamam por dignidade
Entrevistados durante o seu dia (1 de Outubro), o Rigor apurou histórias de sofrimento e esquecimento. Entre fome, doença e abandono, muitos idosos dizem viver “apenas de esmola” e exigem maior atenção do Governo e das famílias para garantir dignidade na terceira idade.
“Antes recebíamos algum apoio do Governo, agora estamos abandonados”, contou Agira Muetha, que depende apenas de um dos seus filho para sobreviver. Sentada à beira da rua, a idosa revelou que a solidão e a doença consomem os seus dias, num cenário de ausência total de assistência comunitária.
Rosalina Wachiwa, residente em Carrupeia, partilhou um quadro semelhante de vulnerabilidade. “A doença é a maior dor e a fome também. Vivemos de esmola, não temos apoio nem do Governo nem da família. Assim estou aqui na cidade para ver se consigo algo para viver”, desabafou.
Os testemunhos expõem uma realidade que contrasta com o espírito da efeméride. No lugar de homenagens e protecção, a terceira idade em Nampula continua marcada pelo esquecimento e pela luta diária pela sobrevivência.
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