ECONOMIA
Marufo Sumaila acusa Banco de Moçambique de agir como “oposição económica”
O pesquisador moçambicano Marufo Sumaila criticou a obrigatoriedade do uso do sistema bancário nacional nas operações cambiais e a proibição do uso de cartões bancários para pagamentos de importações comerciais, recentemente reforçadas pelo Banco de Moçambique, considerando que estas medidas estão a criar constrangimentos desnecessários e a prejudicar a economia nacional.
Segundo o pesquisador, as restrições afectam directamente os empreendedores moçambicanos que operam no exterior, sobretudo na China, onde os cartões nacionais não permitem levantamentos em numerário e são aceites apenas em alguns estabelecimentos com POS, geralmente com preços elevados, o que inviabiliza a actividade dos pequenos comerciantes.
“Parecendo que não, mas o Banco de Moçambique está a desempenhar muito bem o papel de oposição, porque com a aceleração contínua de novas medidas pode prejudicar a economia nacional”, afirmou.
O académico alertou que, neste momento, os cartões bancários moçambicanos não permitem levantamentos em numerário na China, sendo aceites apenas em alguns estabelecimentos com terminais POS, geralmente lojas de gama alta, onde os preços são elevados e pouco acessíveis aos pequenos comerciantes. “Nos mercados chineses onde compramos mercadoria para revenda, ninguém usa POS. Isso cria muitos constrangimentos sem necessidade”, disse.
Para Marufo Sumaila, a desconexão entre a legislação cambial e a realidade dos mercados internacionais frequentados por moçambicanos acaba por travar o crescimento económico. “Nós queremos que Moçambique cresça, mas cada vez mais isso está a tornar-se impossível”, lamentou, acrescentando que as restrições chegam a dificultar até compras básicas durante as viagens.
O académico apelou a uma reflexão mais profunda por parte das autoridades monetárias, defendendo que o controlo cambial deve ser compatibilizado com a dinâmica da economia real, sob pena de penalizar os próprios agentes económicos que o país precisa para crescer. Redacção
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