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Informais tomam entrada do Arcebispo e agravam pressão sobre o aeroporto de Nampula

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Um mercado informal instalado de forma desordenada no bairro de Namicopo está a gerar múltiplas preocupações na cidade de Nampula, ao bloquear o acesso à residência oficial do Arcebispo Dom Inácio Saúre e colocar em risco a segurança das operações do Aeroporto Internacional de Nampula.

A actividade comercial, protagonizada por vendedores expulsos da Avenida do Trabalho, estende-se por passeios, estradas e até zonas próximas da pista de aterragem, desafiando normas de urbanismo e regulamentos aeronáuticos.

A equipa do Jornal Rigor visitou o local na última sexta-feira (27) e constatou um cenário de desorganização total. Os passeios estão ocupados por bancas improvisadas com madeira, bambu e plástico, e crianças circulam entre viaturas em movimento, com risco constante de atropelamento. Em dias de maior afluência, como quando chega o comboio de passageiros (linha Cuamba–Cidade de Nampula), a zona transforma-se num corredor comercial sem qualquer controlo, onde o perigo se multiplica.

“Não temos outro lugar. O Município tirou-nos da rua dos CFM e da Padaria Nampula. Viemos refugiar-nos aqui. Temos filhos para alimentar. Se não vendermos, morremos de fome”, disse um dos vendedores instalado em frente ao Palácio Arquiepiscopal. O comerciante Lucas Oliveira reforçou a crítica: “O mercado alternativo que nos deram não serve. Está longe e sem condições. Aqui, mesmo sem segurança, ainda conseguimos vender.”

O problema, no entanto, vai além da pressão sobre a residência religiosa. Parte desse mercado improvisado está montado a menos metros da pista de aterragem do Aeroporto Internacional de Nampula, o que constitui uma violação grave das normas básicas de segurança aérea. Apesar das sucessivas tentativas das autoridades aeroportuárias de erguer cercas de protecção, estas têm sido sistematicamente vandalizadas.

Moradores das imediações do aeroporto referem que, nos últimos dias, a acumulação de pessoas, lixo e estruturas improvisadas junto ao muro de vedação aumentou a movimentação de aves, o que pode interferir nas manobras de aterragem e descolagem e comprometer a segurança dos voos. A venda de produtos alimentares ao ar livre, sem qualquer condição sanitária, agrava ainda mais o cenário de vulnerabilidade.

A população considera a situação um duplo desrespeito: à dignidade do Arcebispado, como instituição religiosa e cultural da província, e à segurança pública na zona aeroportuária. “Não podemos continuar a arriscar a vida das crianças, a saúde dos cidadãos e a segurança dos voos por falta de um mercado digno. O Município tem de intervir”, apelou um residente.

A comunidade exige uma solução urgente que equilibre a necessidade de sobrevivência dos vendedores com a organização do espaço urbano, o respeito pelas instituições e a salvaguarda da segurança de todos. Redacção

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