ECONOMIA
Indústria de sequestros lucra mais de 2.1 mil milhões de Meticais em uma década, revela relatório
Segundo o Gabinete de Informação Financeira de Moçambique (GIFiM), a indústria de sequestros obteve um lucro estimado em 2.1 mil milhões de Meticais entre os anos de 2014 e Maio de 2024. Esse valor foi arrecadado pelos indivíduos envolvidos ou suspeitos de cometer esse crime, no formato de pagamento de resgates.
Conforme um relatório emitido pelo GIFiM, as cidades de Maputo, Províncias de Maputo, Manica, Sofala, Nampula e a República da África do Sul, são áreas de grande perigo identificadas, onde os suspeitos, por meio de empresas fictícias ou de fachada bem como algumas empresas legítimas e com a ajuda de diferentes profissionais como Advogados, Funcionários Bancários, continuando com os Raptos/sequestros exigem resgates (extorsão), consistindo em levantamentos em dinheiro e introdução dos fundos no sistema financeiro nacional, utilizando depósitos em dinheiro aparcelados/fraccionados, dissimulando por várias contas, seguido por exportação ilegal de capitais com diferentes pretextos para esconder a origem criminosa, recorrendo à Branqueamento de Capitais fundamentada no Comércio.
“Ao nível Internacional/Transnacional–Apurou-se, predominância, nas transacções/operações realizadas de e para, (i) Emirados Árabes Unidos (Dubai), (ii) República Popular da China (Hong Kong), (iii) Reino da Tailândia, (iv) República de Singapura, (v) República de Portugal, (vi) República das Ilhas das Maurícias e (vii) República da África do Sul”, refere o relatório que destaca que, algumas das jurisdições ora mencionadas são centros financeiros offshores (paraísos fiscais).
O relatório do GIFiM apontou que a análise realizada encontrou evidências que levantam suspeitas sobre a participação de diversos profissionais, incluindo membros das Forças de Defesa e Segurança, advogados, funcionários bancários, supostos empresários, magistrados, além de outros sectores da sociedade.
“Constatou-se que, os indivíduos suspeitos de envolvimento nas operações de Raptos/Sequestros, recorreram a contas bancárias de familiares mais próximos ou de empresa(s) controlada(s) por eles ou pelos familiares, para introduzirem fundos resultantes dos pedidos de resgate (extorsão) das vítimas, na sua maioria, em numerário, dissimulando tratar-se de fundos resultantes de actividades empresariais/comerciais”,
Segundo o documento citado, durante o cumprimento do dever de diligência relativa à clientela, realizado pelas instituições financeiras, foi observado que familiares de pessoas sequestradas realizaram saques em dinheiro de valores elevados, dias após a ocorrência do sequestro.
Segundo o Relatório do Gabinete de Informação Financeira de Moçambique, o esquema do Rapto/Sequestro divide-se em diferentes grupos: os Supostos Executores, compostos principalmente por pessoas nacionais ou com a nacionalidade adquirida, provenientes de países da Ásia, África do Sul, entre outros; as Vítimas, em sua maioria indivíduos nacionais ou com nacionalidade adquirida, provenientes da Ásia, que são empresários, comerciantes ou seus familiares; os Supostos Intermediários, também em sua maioria indivíduos nacionais ou com nacionalidade adquirida proveniente da Ásia, responsáveis por recolher os resgates e inseri-los no sistema financeiro de forma fraccionada, por meio de depósitos em dinheiro; e por último, os Supostos Mandantes, em sua maioria pessoas nacionais ou com a nacionalidade adquirida provenientes da Ásia, com histórico criminal.
Uma informação interessante, o relatório do Gabinete de Informação Financeira de Moçambique aponta que as contas bancárias dos alegados Executores são, principalmente, de alguns cidadãos que trabalham na função pública, incluindo membros das Forças de Defesa e Segurança, supostos empresários, além de outros segmentos da sociedade. Redacção
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