SOCIEDADE
Hospital Geral de Nampula: sete anos de promessas, nenhum corte de fita
Obra anunciada para 2019 só deverá ser entregue em 2026
O Hospital Geral de Nampula, em construção no bairro de Natikiri desde 2017, transformou-se num símbolo de promessas incumpridas e sucessivos adiamentos. Concebido para aliviar a pressão sobre o Hospital Central, a unidade deveria estar pronta em 2019 mas, passados sete anos, a conclusão volta a ser empurrada: agora, só em 2026.
A mais recente revelação foi feita pela Presidente da Assembleia da República, Margarida Adamugi Talapa, que durante uma visita a Nampula, neste Sábado (20), confirmou que as obras só deverão ficar concluídas no próximo ano. Explicou que o projecto começou com um empreiteiro que acabou afastado por fraco desempenho, tendo sido substituído por outra empresa que ainda enfrenta constrangimentos financeiros. “Neste momento há negociações com o Ministério ao nível central e, resolvido o desembolso, o actual construtor poderá concluir a infraestrutura no prazo de quatro a seis meses”, afirmou.

A Presidente da Assembleia da República, Margarida Adamugi Talapa, falando à imprensa durante a visita às obras do Hospital Geral de Nampula, onde voltou a alertar para os sucessivos atrasos na conclusão da infraestrutura.
Talapa sublinhou que o hospital é uma unidade estratégica não apenas para Nampula, mas também para Zambézia, Niassa e Cabo Delgado, províncias cujos doentes recorrem frequentemente à capital do norte. “Nas enfermarias, sobretudo das crianças, encontramos duas numa mesma cama. Com a conclusão desta unidade estarão criadas condições mais dignas para o atendimento e será aliviada a sobrecarga que compromete a qualidade dos serviços”, destacou.
A dirigente apelou à criação de condições que permitam acelerar a finalização das obras, frisando que o funcionamento pleno do Hospital Geral de Nampula será determinante para melhorar a resposta do sistema nacional de saúde. “Temos de garantir que este hospital seja concluído o mais rápido possível, porque cada atraso representa mais sofrimento para os doentes e maior pressão sobre uma unidade central já esgotada”, advertiu.
A longa lista de prazos falhados inclui a promessa feita pelo governo provincial em Maio, que previa a conclusão em Julho de 2025, bem como o compromisso anterior do então Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, que assegurara a entrega em Abril. Já em 2024, o Primeiro-ministro Adriano Maleiane tinha admitido atrasos devido a “problemas de relacionamento financeiro” com empreiteiros e doadores internacionais, prometendo que a obra terminaria em 2025.
Se o novo calendário se confirmar, o Hospital Geral de Nampula terá levado quase nove anos desde o início das obras até à inauguração. Tempo suficiente para consolidar a sua imagem como um dos mais emblemáticos “elefantes brancos” da saúde pública moçambicana. Vânia Jacinto
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