POLÍTICA
Governo reconhece atrasos nos subsídios de professores e aponta escassez de recursos
O Secretário de Estado da província, Plácido Nerino Pereira, recebeu nesta quarta-feira (08), no seu gabinete de trabalho, a direcção provincial da Organização Nacional dos Professores (ONP), num encontro em que reconheceu as preocupações da classe e explicou os constrangimentos que limitam a resposta do Governo.
Falando na ocasião, o governante admitiu a morosidade no pagamento dos subsídios de morte, funeral e horas extras, mas justificou que a situação decorre da escassez de recursos financeiros que o país atravessa. “O ideal seria pagar logo que os factos ocorressem, mas o país enfrenta limitações de liquidez. O pagamento das horas extras e do turno e meio começou a ser feito para o ano de 2023, embora ainda não esteja concluído, e o processo para 2024 já está em curso”, esclareceu.
Plácido Pereira acrescentou que a validação dos processos pela Inspecção-Geral de Finanças e a dívida acumulada em subsídios, que chegou a rondar os 90 milhões de meticais na província, têm condicionado a rapidez do pagamento. “São responsabilidades do Estado e o compromisso é honrá-las, mesmo que em ritmo mais lento do que seria desejável”, afirmou.
O Secretário de Estado assegurou também que há esforços contínuos para melhorar as condições de trabalho dos docentes, incluindo a construção de novas salas de aulas para reduzir o rácio professor-aluno. “É um desafio grande, mas a prioridade do Governo é garantir que todas as crianças tenham acesso à educação em condições dignas”, sublinhou.
Apesar do reconhecimento, Plácido Pereira alertou para problemas internos que, segundo disse, fragilizam o sector. Apontou casos de professores destacados em distritos que, após obterem nomeações definitivas, procuram mobilidade para a cidade, deixando escolas com apenas um docente.
“Em Nampula há professores que, em vez de estarem na sala de aulas, dedicam-se a vender créditos ou a conduzir motorizadas. Isso fragiliza o sistema e prejudica as próprias crianças”, concluiu, apelando à ONP e à classe docente para ajudarem o Governo a combater o absentismo. Faizal Raimo
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