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Gamito denuncia plano para a sua eliminação
O activista dos direitos humanos Gamito dos Santos denunciou publicamente estar a ser alvo de uma nova vaga de ameaças à sua segurança e integridade física. O activista alegou a existência de um plano desenhado ao nível “do topo” para o eliminar, que terá sido frustrado primeiramente em janeiro deste ano algumas pessoas com poder e que não concordavam, mas que agora se pretende materializar.
Num desabafo contundente, Dos Santos acusou o regime de recorrer a métodos de infiltração de agentes e de usar mulheres como isca em acções de sedução e espionagem.
De acordo com Gamito, as ameaças vêm das autoridades policiais e visam silenciá-lo devido ao seu exercício de cidadania activa e de litigância jurídica, onde por meio desta, tem denunciado à Procuradoria agentes da corporação por crimes de tortura nas esquadras, detenções arbitrárias e envolvimento no tráfico de drogas. As denúncias incluem uma pesquisa que a sua organização, Koshukuro, está a levar a cabo sobre a morte de garimpeiros no distrito de Mogovolas, em dezembro de 2025.
“Recebi informações das minhas fontes dentro do sistema de que há um plano para atentarem contra mim. Tanto que, uma das noites, já me seguiram com duas motorizadas. Quando me apercebi da situação, fui dormir nos meus sítios. Dias depois me disseram que na verdade, chegaram à minha casa para fazer reconhecimento e tiraram fotografias. No âmbito da pesquisa que estamos a fazer sobre as mortes de garimpeiros em Iulute, eu tinha que ouvir o comandante provincial da polícia.
Quando fui ao gabinete dele para me inteirar sobre o ponto de situação do caso, uma das coisas que ele fez foi desviar-se do assunto e começar a falar do meu exercício de cidadania. Primeiro perguntou a minha idade e revelou que não gosta do facto de eu estar a atacar a PRM e não respondeu à pergunta relacionada ao trabalho que levou a minha ida ao gabinete”, explicou Gamito, o qual acrescentou: “Entendi as palavras do comandante como ameaças e, quando começo a associar aos episódios que vivo, às mensagens intimidatórias que recebo e também aos alertas vindos de pessoas ligadas ao regime, chego à conclusão de que há um plano macabro que está foi traçado contra mim. Mas não está a ser executado plenamente porque, dentro do sistema, há quem apoie a minha intervenção e há quem não a apoie”.
De acordo com Gamito, recentemente ele foi alertado através das redes sociais de que teria sido fotografado quando passava pela segunda esquadra de polícia.
“Como dirigente de uma organização, neste caso a Koshukuro, nós movemos processos contra alguns elementos da corporação. Até agora, na Procuradoria, temos cinco processos contra elementos da corporação e temos várias denúncias públicas em que solicitamos a quem de direito para que possa investigar alguns elementos da corporação. E nós já denunciamos alguns elementos da corporação que possam estar envolvidos no caso de tráfico de drogas”, sublinhou.
Embora haja a alegada tentativa de eliminá-lo, Dos Santos referiu que vai continuar as suas intervenções em prol dos direitos humanos.
“Quando abracei esta causa, eu já sabia os prós e os contras. E eu não diria que temo pela minha vida e segurança, mas digo que a minha integridade física e segurança estão ameaçadas, e eu só rogo que haja formas de proteger a minha família. Caso seja efectivamente cumprido o plano de me eliminar, vão fazer o que quiserem, mas confesso que isso não vai me parar, porque, se me perseguem, é porque estou a fazer algo”, concluiu.
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