POLÍTICA
Em 561 dias no poder, Giquira reafirma compromisso de transformar Nampula numa cidade limpa, acolhedora e digna do título de capital do norte
A cidade de Nampula completa hoje 69 anos desde a sua elevação à categoria de cidade, data que coincide com um ano e oito meses de governação do presidente do Conselho Municipal, Luís Giquira, que tomou posse a 7 de Fevereiro de 2024. Ao longo de 561 dias no poder, o edil assegura estar a cumprir com as promessas feitas aos munícipes, apresentando resultados concretos em áreas como estradas, saneamento, gestão de resíduos, modernização administrativa, abastecimento de água e comércio. Com uma visão de futuro, Giquira reafirma que o objectivo é recolocar Nampula no estatuto de capital do norte, assente numa cidade limpa, moderna e acolhedora.
“Estamos a cumprir com o nosso manifesto, com o sonho do lixo zero e com a promessa de melhorar as nossas vias de acesso, não tapando buracos, mas asfaltando estradas.”
Logo no início do mandato, o Conselho Municipal assumiu como prioridade o programa Lixo Zero e a requalificação das vias de acesso. Giquira destaca que a meta não era apenas tapar buracos, mas apostar em obras definitivas de asfaltagem. Até ao momento, foram asfaltados 42 quilómetros de estradas, com mais 15 quilómetros em execução.
Foram igualmente construídos dois aquedutos, que permitem maior mobilidade durante a época chuvosa e melhoram a ligação entre bairros antes isolados. “Este é um orgulho, porque pela primeira vez estamos a dar uma resposta de fundo à mobilidade urbana de Nampula”, frisou o edil.
“Encontrámos 91 focos de lixo, alguns com mais de 15 anos. Hoje, todos foram removidos e a cidade respira melhor.”
A limpeza urbana e a gestão de resíduos constituem um dos maiores feitos da governação. Quando assumiu funções, o edil encontrou 91 focos de lixo espalhados pela urbe, alguns com mais de uma década sem remoção.
“Hoje, todos esses pontos foram eliminados. Havia locais onde o lixo fazia parte da paisagem e que agora estão livres”, referiu. Para consolidar este resultado, a edilidade reforçou a frota e organizou novas rotas de recolha, criando condições para uma rotina sustentável de limpeza.
“Introduzimos a partilha semanal de receitas porque acreditamos numa governação participativa e transparente.”
A modernização administrativa e financeira é outra bandeira da actual governação. Pela primeira vez, os munícipes têm acesso público e regular à informação sobre as receitas municipais.
Semanalmente, é feita a partilha pública das receitas, medida que, segundo Giquira, reforça a transparência e devolve confiança aos cidadãos. “Os munícipes sabem quanto se arrecada e como se aplica. É uma forma de trazer a confiança de volta”, sublinhou.
Além disso, foi implementado o pagamento digital de taxas, permitindo que os cidadãos regularizem as suas obrigações a partir do telemóvel, sem deslocações.
“Os salários dos nossos funcionários são pagos antes do dia 20 de cada mês. Isto é fruto de uma gestão rigorosa e de experiência trazida do sector privado.”
Uma das mudanças mais notáveis no funcionamento interno do município foi a regularização do pagamento dos salários. Quando Giquira tomou posse, muitos funcionários enfrentavam atrasos prolongados. Hoje, os vencimentos são liquidados pontualmente antes do dia 20 de cada mês.
Segundo o edil, o segredo está numa gestão austera e inspirada no sector privado: “Gerir recursos com rigor foi sempre a nossa escola. Trouxemos essa experiência para o sector público e estamos a conseguir poupar, arrecadar e servir os funcionários com dignidade.”
“O mercado do peixe será um modelo moderno, com restaurantes, bancos, caixas ATM e lojas de conveniência.”
A requalificação dos mercados municipais é apresentada como outro marco. O mercado do peixe e mariscos, já com 60% das obras concluídas, promete transformar-se num novo centro comercial e turístico.
Segundo Giquira, o espaço não será apenas um mercado tradicional, mas um modelo inovador, com restaurantes, bancos, caixas automáticas e lojas de conveniência. Apesar de atrasos provocados pela instabilidade social, o edil garante que a obra será entregue ainda este ano.
“Dialogar com os vendedores informais é a nossa estratégia. Queremos organizar o comércio sem violência, com consenso e segurança para todos.”
O comércio informal é um desafio permanente para a gestão urbana. Giquira tem privilegiado o diálogo com os vendedores de rua, evitando confrontos violentos.
Já foram retirados comerciantes das principais avenidas, onde corriam risco de atropelamento, e transferidos para mercados alternativos. Agora, decorrem negociações para reorganizar o centro da cidade, em paralelo com as obras de requalificação urbana. “Não podemos ter uma cidade moderna com comércio descontrolado. Mas a solução passa pelo diálogo e pelo consenso”, afirmou.
“A água continua a ser o maior desafio estrutural. A cidade cresceu três vezes e a barragem já não responde à necessidade da população.”
Apesar dos avanços alcançados, o abastecimento de água potável mantém-se como o problema mais grave de Nampula. O rápido crescimento populacional — que praticamente triplicou nos últimos anos — pressiona a já limitada capacidade da barragem local. Para atenuar a crise, o município adquiriu um camião cisterna de 20 mil litros e construiu três novos furos, que já estão a servir comunidades em situação crítica. A promessa de adquirir um camião perfurador mantém-se firme, mas Giquira reconhece que a solução definitiva só será possível com apoio do Governo Central e Provincial, aliado a investimentos estruturais de maior escala.
“Não podemos ter uma cidade moderna com comércio descontrolado. O que queremos é segurança, organização e consenso.”
Além da água, persistem outros desafios estruturais, entre os quais se destaca o ordenamento urbano. A rápida expansão da cidade levou à construção de inúmeros imóveis sem licenciamento. O município avança com campanhas de regularização, mas apenas para habitações erguidas em zonas seguras. Já os edifícios levantados em áreas de risco não são abrangidos, o que continua a representar um problema complexo para o planeamento territorial e para a segurança ambiental.
“Nós queremos chegar numa cidade moderna, queremos chegar numa cidade em que já outrora foi dita como a capital do norte e que já estávamos a perder esse título por causa de tanto lixo que tínhamos na urbe, de tantas ruas degradadas. O nosso sonho é que, nos próximos tempos, consigamos conquistar novamente esse título — uma cidade bela, limpa e acolhedora.”
Para Giquira, o objectivo vai além da resolução de problemas imediatos: trata-se de reerguer Nampula ao lugar de destaque nacional, devolvendo-lhe o estatuto histórico e simbólico de capital do norte. Faizal Raimo
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