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Elefantes destroem campos e aterrorizam famílias em Mogincual

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Dois elefantes de grande porte estão a semear o medo e a destruição na localidade de Naminane, distrito de Mogincual, província de Nampula. Há anos, os animais vêm devastando campos agrícolas e ameaçando a segurança das comunidades. Desde 2017, quando escaparam da Reserva do Niassa, os episódios tornaram-se cada vez mais frequentes e violentos, transformando a zona num verdadeiro foco de tensão.

Segundo o administrador do distrito, João Zampula, os elefantes chegaram inicialmente em número de dois. Mais tarde, passaram a ser três, mas um deles morreu após cair numa zona pantanosa. Actualmente, restam dois elefantes adultos — e com comportamento cada vez mais agressivo.

“A situação tem-se agravado de forma significativa. Os elefantes tornaram-se mais ousados, já circulam durante a noite e aproximam-se das casas. As pessoas têm medo de sair, sobretudo ao amanhecer e ao anoitecer”, relatou o administrador.

Embora não haja registo de mortes em 2025, o histórico da presença dos animais é alarmante. Em anos anteriores, os ataques resultaram em vítimas mortais e prejuízos materiais consideráveis. “Estamos a fazer o levantamento completo de todas as ocorrências desde 2017. Na altura, a situação parecia controlada, mas agora a fúria dos animais é evidente. Isso preocupa-nos bastante, porque o elefante é uma espécie protegida por lei, mas está a destruir os campos agrícolas e a pôr vidas humanas em risco”, sublinhou Zampula.

A rotina dos habitantes foi profundamente alterada. Muitas famílias optam por dormir em grupo ou abandonar temporariamente as suas casas com receio de ataques nocturnos. As investidas dos elefantes atingem machambas inteiras, comprometendo a produção agrícola e agravando a insegurança alimentar local.

Apesar da ameaça constante, o governo distrital garante que está a trabalhar para encontrar uma solução definitiva. Em coordenação com o governo provincial e a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), estão em curso esforços para devolver os animais ao seu habitat de origem.

“O nosso objectivo é devolvê-los à Reserva do Niassa, de onde saíram em 2017. É um processo complexo, mas está em andamento, com envolvimento de técnicos especializados e de vários níveis de governação”, garantiu Zampula.

Enquanto se aguarda por uma acção concreta, o administrador apela à população para manter a calma e não provocar os animais. “Os elefantes só atacam quando se sentem ameaçados ou estão com fome. É fundamental evitar qualquer confronto. Temos de aprender a conviver com a fauna bravia, mesmo quando isso exige sacrifícios”, alertou.

Mas, para muitos residentes de Naminane, a convivência forçada com a ameaça silenciosa dos elefantes tornou-se insustentável. E até que uma solução seja encontrada, o medo continua — espalhado entre os campos devastados, os silêncios da noite e a incerteza do dia seguinte. Vânia Jacinto

 

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