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CULTURA

“Duas Almas Presas na Mesma Cela” – Grupo Nguenha leva teatro à Mediateca do BCI em Nampula

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O grupo teatral Nguenha apresentou, na última quinta-feira (08), a peça “Duas Almas Presas na Mesma Cela”, nas instalações da Mediateca do BCI, na cidade de Nampula. A obra retrata a história de dois jovens com percursos distintos que, apesar das suas diferenças, são julgados e condenados por crimes de igual gravidade. Partilhando a mesma cela, são forçados a conviver, confrontar as suas escolhas e refletir sobre as consequências do orgulho, arrogância e traição.

Donça, membro do grupo há mais de uma década, explicou que a peça gira em torno do encontro entre um prisioneiro cristão, que se diz inocente da morte da sua namorada, e outro que assume a culpa pelo homicídio da companheira, após anos de dedicação ao seu crescimento académico e profissional, culminando numa traição.

“Com esta peça, queremos provocar uma reflexão sobre como duas pessoas diferentes podem, em algum momento, identificar-se por comportamentos semelhantes — seja o orgulho, a arrogância ou o próprio ego”, explicou Donça.

O fundador e director do grupo, António Álvaro, lembrou que o Nguenha foi criado em 2015 e conta actualmente com 12 membros. O principal objectivo do grupo, segundo o encenador, é projectar a província de Nampula no panorama cultural nacional e internacional, através do teatro.

“Desde a fundação, conseguimos levar a nossa arte para além de Nampula. Hoje, o Grupo Nguenha representa Moçambique, e não apenas uma província”, afirmou Álvaro.

Com passagens por duas edições do Festival Internacional de Teatro do Inverno (FITI) — o maior evento do género no país —, o grupo também já actuou na África do Sul, e tem recebido convites internacionais para levar o seu trabalho a outras geografias.

“Recebemos convites de Angola e do Brasil. Já tivemos várias propostas para Angola, mas, por falta de apoio logístico, ainda não conseguimos ir. Neste momento, estamos a analisar o mais recente convite e à procura de apoios para transporte — porque o resto já está acautelado”, concluiu. Daniela Caetano

 

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