POLÍTICA
Dom Inácio Saúre defende diálogo franco e diagnóstico profundo para a paz
O Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre, apelou nesta quarta-feira (6) à realização de um “diagnóstico verdadeiro” sobre as causas profundas do sofrimento e da violência em Moçambique, defendendo que só assim será possível alcançar uma paz duradoura. Para o prelado, esta análise deve ser o ponto de partida para um diálogo franco, sem omitir verdades, mesmo as mais dolorosas.
A declaração surge após a sua participação na 20.ª Assembleia Plenária do Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar (SECAM), realizada sob o tema “Cristo, fonte de esperança, reconciliação e paz”. O encontro definiu doze pilares para a acção da Igreja no continente até 2050, incluindo justiça, paz, desenvolvimento humano integral e diálogo inter-religioso.
“É preciso diagnosticar, saber identificar as causas mais profundas dessa situação de sofrimento e de guerra, para dar a medicação apropriada e encontrar as soluções adequadas para que a paz volte ao país”, afirmou Dom Inácio, sublinhando que onde há mentira e espírito de vingança, não pode haver reconciliação verdadeira.
O Arcebispo reforçou que a paz em Moçambique exige reconciliação baseada na reposição da verdade e na “pedagogia do perdão”, recordando que “onde há ódio sobre ódio, vingança sobre vingança, é impossível chegar-se à paz”.
Alertou também para o risco de agravamento da violência caso não haja vontade de reconciliação: “Infelizmente, ainda poderá haver muito mais sangue se os moçambicanos não quiserem se reconciliar. Este é o grande perigo”.
Sobre as declarações recentes que associam a permanência no poder à segunda vinda de Cristo, Dom Inácio foi contundente: “Se de facto esta afirmação foi feita, não passa de insulto a Cristo, mais nada. É uma blasfémia pura e simplesmente”.
Quanto à violência armada no país, particularmente em Cabo Delgado, revelou que a Conferência Episcopal reuniu-se recentemente com o Presidente da República para manifestar preocupação e reiterar que a solução não pode ser apenas militar. “O diálogo é possível e outras vias devem ser exploradas”, frisou.
O prelado destacou o trabalho da Cáritas Arquidiocesana no apoio aos deslocados de guerra, incluindo a aquisição recente de tractores e insumos agrícolas para fomentar a produção de alimentos. No entanto, lamentou a escassez de recursos para suprir as necessidades, sublinhando que “com a fome é impossível falar de paz”.
“Estamos preocupados com este povo continuamente humilhado, massacrado, torturado. É preciso que esta situação pare o mais cedo possível”, concluiu. Faizal Raimo
-
SOCIEDADE6 meses atrásUniRovuma abre inscrições para exames de admissão 2026
-
SOCIEDADE2 anos atrásIsaura Nyusi é laureada por sua incansável ajuda aos mais necessitados e recebe título de Doutora
-
CULTURA1 ano atrásVictor Maquina faz sua estreia literária com “metamorfoses da terra”
-
DESPORTO2 anos atrásReviravolta no Campeonato Provincial de Futebol: Omhipithi FC é promovido ao segundo lugar após nova avaliação
-
OPINIÃO2 anos atrásO homem que só gostava de impala
-
ECONOMIA10 meses atrásGoverno elimina exclusividade na exportação de feijão bóer e impõe comercialização rural exclusiva para moçambicanos
-
POLÍTICA11 meses atrásGoverno de Nampula com nova cara: nove novos administradores e várias movimentações
-
OPINIÃO2 anos atrásDo viés Partidocrático à Democracia (Participativa)
